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Justiça

STF inicia votação sobre marco temporal da questão indígena que pode impactar em demarcações de terras

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli
STF inicia votação sobre marco temporal da questão indígena que pode impactar em demarcações de terras
STF inicia votação sobre marco temporal da questão indígena que pode impactar em demarcações de terras

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou na semana passado o julgamento do Recurso Extraordinário 1017365, que poderá definir o futuro das demarcações das terras indígenas no Brasil.

Conforme o vereador Rodinei Candeia (PSL), que acompanha há anos o impasse de demarcações de terras indígenas, o Ministério Público Federal e ONGS indigenistas se movimentam para que o Supremo use esse processo para revogar o “marco temporal” — tese fixada pelo próprio STF no julgamento do caso Raposa/Serra do Sol (em RR), segundo a qual só podem ser demarcadas áreas que estivessem ocupadas tradicionalmente pelos indígenas em 1988, quando foi implantada a Constituição. Isso inviabilizaria novas demarcações, pois grande parte desse movimento começou nos anos 2000, com o aumento de invasões.

De acordo com o Candeia, esse marco temporal estabeleceu 19 condicionantes para que sejam feitas novas demarcações indígenas e agora o julgamento pode derrubar esse marco.

O parlamentar, que também é Procurador do Estado, explicou que o julgamento no STF teve como motivação um recurso impetrado contra a reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina para deter invasão numa área ambiental do Estado, onde não havia ocupação indígena em 1988. O Ministro Fachin deu liminar ao processo, proibindo a reintegração, alegando que, em função da pandemia, haveria interesse socioambiental.

Fachin também suspendeu todos os processos judiciais que pudessem promover reintegração contra indígenas ou anular processos de demarcação em todo o País, além de suspender o Parecer 001/2017, da Advocacia-Geral da União, que determinava à Administração Federal que atendesse os critérios fixados pelo STF no julgamento do Raposa/Serra do Sol. O caso deve ser levado ao plenário do STF, onde todos os ministros poderão se manifestar.

De acordo com Candeia, o julgamento preocupa, pois acontece de forma virtual, com os votos realizados eletronicamente, sem leitura ou debate, o que impede uma maior discussão sobre tema de tanta repercussão para a sociedade brasileira.

A decisão pode impactar em todas áreas do Brasil, mas Candeia cita o caso de Mato Castelhano, na região de Passo Fundo. Há anos indígenas estão acampados às margens da BR-285 e solicitam a demarcação de toda a área de Mato Castelhano e do Capingui como terras indígenas. Eles alegam que sempre viveram nas matas da região vivendo da caça e pesca e querem que toda essa área volte para o domínio dos índios.

Para Candeia, qualquer local poderia ser demarcado como indígena caso o marco temporal seja revogado. Na opinião dele, o STF pode surpreender e revogar o marco. De acordo com ele, o Supremo vem tomando decisões prejudiciais a população brasileira e essa poderia ser mais uma. Com uma possível decisão do STF, o país sofreria uma maior estatização de áreas, retirando as terras da iniciativa privada.