Caso Endriel: Patrick Silva Mendes é condenado a 24 anos de prisão pela morte de menino de 5 anos em Passo Fundo
O Tribunal do Júri da Comarca de Passo Fundo concluiu na noite desta sexta-feira (6) o julgamento de Patrick Silva Mendes, 23 anos, acusado de provocar o acidente que resultou na morte do menino Endriel de Camargo Borges, de 5 anos em 12 de janeiro de 2025.
A sessão teve início às 9h da manhã, no Fórum de Passo Fundo, sob a presidência do juiz Dr. Victor Matheus Bevilaqua. Durante a manhã, foram ouvidas seis testemunhas.
No início da tarde ocorreu o interrogatório do réu, que durou cerca de 20 minutos. Patrick admitiu que havia ingerido bebida alcoólica antes de dirigir, afirmando que teria consumido “um ou dois copos”, mas disse que acreditava estar em condições de conduzir o veículo. Ele também confirmou que era o motorista no momento do acidente e pediu desculpas à família da vítima, afirmando aos jurados: “Não sou esse monstro que estão dizendo.”
Acusação
A fase de debates começou na tarde desta sexta-feira com a manifestação do Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Rodrigo Alberto Wolf Piton, que utilizou cerca de uma hora e meia para apresentar a tese da acusação.
Durante a sustentação, o promotor apresentou a denúncia e exibiu vídeos de depoimentos colhidos durante a investigação e no decorrer do processo.

Entre os pontos destacados, está o depoimento do adolescente que estava no carro e chegou a ser apontado como motorista, mas que afirmou em juízo ter sido ameaçado pelo réu após o acidente e que chegou a mudar de estado por medo.
Testemunhas também relataram que o acusado e sua namorada teriam ingerido bebida alcoólica e usado maconha antes do acidente.
Policiais militares ouvidos durante o processo afirmaram que Patrick apresentava fortes sinais de embriaguez, com hálito etílico e dificuldade para se manter em pé.
Durante os debates, o promotor também comentou o pedido de desculpas feito pelo réu à família da vítima, afirmando aos jurados que “pedido de perdão são palavras ao vento”.
Também atuaram como assistentes da acusação os advogados Alisson Doneda, Luiz Ronaldo Junior e Elias Parelhos que reforçaram aos jurados a tese de culpabilidade do réu.

Defesa
A defesa iniciou sua manifestação por volta das 16h, com os advogados Eduardo Vanin Rodrigues e Aline Rangel da Silva.
Durante a sustentação, os advogados afirmaram que Patrick deve ser responsabilizado pelos seus atos, e ressaltaram que ele “não é um anjo, é um ser humano”.

A defesa também contestou a acusação de que o réu teria fornecido bebida alcoólica ao adolescente que estava no veículo.
Outro ponto central da argumentação foi a explicação aos jurados sobre a diferença entre dolo eventual e crime culposo. Segundo os advogados, no dolo eventual a pessoa assume o risco de causar o resultado, enquanto no crime culposo a pessoa não deseja o resultado e acredita que ele não vai ocorrer, mesmo agindo de forma imprudente.

A defesa sustentou que Patrick acreditava que conseguiria dirigir sem provocar um acidente e que a colisão ocorreu porque seus reflexos estavam comprometidos pela ingestão de álcool, defendendo que o caso fosse reconhecido como crime culposo, sem intenção de matar.
Votação dos jurados
Por volta das 19h, após a conclusão da réplica e tréplica, os sete jurados iniciaram a votação dos quesitos relacionados aos crimes imputados ao réu.
Com a decisão do Conselho de Sentença, o juiz presidente Dr. Victor Matheus Bevilaqua realizou a leitura da sentença e fixou a pena de 24 anos de reclusão, 4 anos e 8 meses de detenção e 70 dias multa para Patrick Silva Mendes em regime inicial fechado.
O caso gerou grande comoção em Passo Fundo, especialmente pela morte do menino de apenas cinco anos. O julgamento mobilizou familiares da vítima, amigos e integrantes da comunidade que acompanharam o desfecho do processo.