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Justiça

Sem Segredo: maioria dos ouvintes defendem leis mais duras para diminuir crimes contra crianças

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

Na semana passada a Rádio Uirapuru contou o relato emocionante de uma ouvinte que sofreu abuso sexual do padrasto dos 6 aos 9 anos. Além disso, noticiou casos bárbaros contra crianças como por exemplo o da menina de apenas 12 anos que engravidou após um estrupo cometido pelo próprio pai. A história do menino de 7 anos que foi morto pela mãe e jogado no Rio Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, entre outros. São casos chocantes que trazem indignação a população.

Especialistas apontam que a violência contra crianças e adolescentes aumentou durante a pandemia. Os relatos de violência tem sido frequentes, não só em Passo Fundo, mas em todo o mundo. Mas porque tem aumentado tanto os crimes brutais contra crianças? Essa foi a perguntas do Sem Segredo do último sábado (14).

Conforme o delegado da Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente, Mario Pezzi, no entendimento dele são fatores que se somam para que casos tão graves aconteçam. Na maioria dos casos, as crianças são abusadas ou violentadas por anos, sem que os órgãos de proteção fiquem sabendo da situação. Muitas vezes, de acordo com o delegado, ocorrem omissões, tanto da família, como de vizinhos, que sabem o que acontece e não denunciam, dificultando o trabalho das autoridades.

Na opinião do delegado, em casos brutais contra crianças cometidos por familiares existe também fatores psicológicos. Pezzi não consegue acreditar que um pai ou uma mãe em sã consciência tenha coragem de fazer mal para o filho. A impunidade também pode estar por trás de crimes brutais. A lei é fraca, na opinião do delegado, pois os criminosos pegam 60, 70 anos de cadeia e fica preso apenas uma parte disso. O delegado defende que a pena seja cumprida na sua integralidade.

Conforme o promotor de Justiça da 5ª Promotoria de Justiça Especializada de Passo Fundo, João Paulo Bittencourt Cardozo, é difícil explicar porque crimes tão brutais aconteçam com crianças. No entanto, o promotor destaca que existem estudos da psicologia que define essas pessoas como sociopatas e psicopatas. O promotor João Paulo acredita que as aulas suspensas durante a pandemia contribuíram para o aumento da violência contra crianças. As escolas tem um olhar sobre as crianças e consegue perceber quando algo está errado, acionando os órgãos competentes. No entanto, sem as aulas presenciais, essa percepção fica prejudicada.

Os ouvintes do programa Sem Segredo concordam com o delegado Mario Pezzi e o promotor João Paulo. Para a maioria deles, as leis são fracas e precisam ser alteradas, além da escola ser fundamental para perceber quando algo está errado e evitar que crimes aconteçam com as crianças.