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Justiça

Operação Carmelina completa dois anos e poucas vítimas foram ressarcidas

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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A Operação responsável por levar o nome de Passo Fundo para o país inteiro, e trazer à tona um golpe milionário envolvendo ações da CRT, a Operação Carmelina completa dois anos. A Polícia Federal desencadeou na manhã do dia 21 de fevereiro de 2014, deu início ao caso com o objetivo de desarticular organização criminosa formada principalmente por advogados e contadores que lesaram mais de 30 mil pessoas no Rio Grande do Sul em valores que superariam 100 milhões de reais.

 

A investigação iniciou no ano de 2012, por representação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público Federal (MPF). Foi apurado que uma renomada banca de advogados, com sede principal em Passo Fundo, captava clientes e ajuizava ações contra uma empresa de telefonia. As ações eram julgadas procedentes e o valor recebido não era repassado aos clientes ou era pago em quantia muito menor da que havia sido estipulada na ação.

 

O líder da organização criminosa, o advogado Maurício Dal Agnol, possuía um vasto patrimônio com centenas de imóveis, avião a jato, automóveis de luxo e milhões de reais em contas bancárias. O acusado de comandar o esquema, ficou preso por cinco meses, e foi solto após nove pedidos de liberdade negados.

 

Segundo o delegado Mário Luiz Vieira, dois anos se passaram e o advogado continua em liberdade, e poucas vítimas de fato foram ressarcidas. Ele explica que tanto a polícia quanto a justiça fizeram tudo o que podia ser feito para comprovar a existência dos crimes. O delegado afirma que a operação não teve a eficácia que era esperada, pois a população fica desacreditada no trabalho realizado.

 

O delegado afirma que o poder judiciário agiu absolutamente dentro das normas, pois houve uma concessão de liberdade por parte do Supremo Tribunal Federal e uma liminar de liberdade feita por um ministro.

 

Mário Luiz Vieira afirma que mais de 100 inquéritos continuam em andamento na Polícia Federal. Segundo ele os trabalhos ainda não terminaram, mas que a polícia não está adequadamente equipada para desenvolver as ações devido a péssima estrutura e falta de quadro efetivo dos policiais. Ele destaca que é uma luta desigual.

 

O delegado afirma que mesmo com todas as dificuldades, ainda há muito a ser feito em relação ao caso. Ele explica que mesmo com as contas do advogado bloqueadas, ainda existe o fato de outras pessoas próximas terem dinheiro repassado para as contas, e por isso o acusado ainda tem bastante dinheiro. Mário Luiz Vieira acredita que mesmo que o processo continue, infelizmente o grande número de vítimas não vai efetivamente receber nada.

 

A operação Carmelina tem o nome de uma senhora, lesada pelo grupo, que faleceu em decorrência de um câncer. Ela poderia ter um tratamento mais adequado se tivesse recebido a quantia aproximada de cem mil reais a que teria direito, valor que os criminosos nunca lhe repassaram.