Manoel Fernandes é condenado pela morte do médico Jônatas Conterno em julgamento realizado em Passo Fundo
Depois de um dia inteiro de intensos trabalhos no Fórum da Comarca de Passo Fundo, foi concluído na noite desta terça-feira (28) o julgamento de Manoel Fernandes, acusado de atropelar e matar o médico oncologista e professor universitário Dr. Jônatas Conterno, em fevereiro de 2018, durante o feriado de Carnaval.
O júri popular reconheceu a responsabilidade do réu pela morte do médico, e o juiz-presidente da sessão, Dr. André Luis Ferreira Coelho, proferiu a sentença ao final da sessão plenária do Tribunal do Júri.
O crime ocorreu na RS-153, quando o médico pedalava com um grupo de ciclistas e foi atingido por trás por um veículo Fiat Brava branco, conduzido por Fernandes. O impacto lançou a vítima a mais de 30 metros, resultando em múltiplas fraturas e hemorragia aguda, que causaram sua morte ainda no local.
O interrogatório do réu
Durante o interrogatório, Manoel Fernandes admitiu ter ingerido bebida alcoólica antes do acidente. Disse acreditar ter consumido “dois copos de cerveja”, mas depois afirmou que a quantidade poderia ter chegado a cinco. Negou, porém, estar embriagado e rebateu o relato de testemunhas que o teriam visto saindo cambaleante de uma festa.
O réu afirmou que o sol o impediu de enxergar o ciclista e garantiu não ter percebido o atropelamento no momento do impacto. “Não vi o corpo sendo arremessado. Jamais faria mal a uma pessoa. Não saí de casa para matar ninguém”, declarou.
Disse ainda que, posteriormente ao fato tentou parar o carro, mas acabou colidindo no portão de uma casa, sendo abordado logo em seguida pela polícia. Relatou que só então soube da morte do médico. Durante o depoimento, se emocionou e afirmou: “Foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Se pudesse voltar atrás, não teria nem saído de casa.”
Os debates
Na fase dos debates, o Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Dr. Rodrigo Alberto Wolf Piton, sustentou a tese de homicídio qualificado com dolo eventual, destacando que o réu assumiu o risco de matar ao dirigir sob efeito de álcool, em alta velocidade e sem as cautelas necessárias.
O trabalho do promotor foi marcado por técnica, serenidade e profundo conhecimento do caso, conduzindo a argumentação de forma respeitosa, segura e embasada nas provas dos autos, sem recorrer a rompantes emocionais — postura que chamou a atenção pela clareza e equilíbrio, mesmo diante da tensão que costuma marcar sessões do Tribunal do Júri.

A acusação contou ainda com a assistência dos advogados Dr. Renato de Lemos e Dr. Norberto Ilha Filho, que reforçaram a gravidade da conduta e pediram a condenação exemplar do réu.

A defesa técnica de Manoel Fernandes foi conduzida pelas advogadas Drª Andréa Tavares e Drª Michele Pereira, que sustentaram a tese de homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. Elas argumentaram que o médico trafegava sobre a pista de rolamento e não no acostamento, o que teria contribuído para o acidente, além de destacar que o réu não possuía antecedentes criminais.

A decisão
Após os debates, o Conselho de Sentença, composto por seis mulheres e um homem, se reuniu em sala secreta e deliberou pela condenação de Manoel Fernandes.
A sentença foi lida pelo juiz Dr. André Luis Ferreira Coelho, que fixou a pena considerando as circunstâncias do caso e a gravidade da conduta.A pena a ser cumprida por Manoel Fernandes foi fixada em 14 anos e 3 meses de prisão que deverá ser cumprido em regime inicial fechado.