Juíza Rosali Chiamenti Libardi faz balanço de sua trajetória no Tribunal do Júri de Passo Fundo e fala sobre avanços e desafios no Judiciário
Nesta quarta-feira, 4 de dezembro, a juíza presidente do Tribunal do Júri de Passo Fundo, Dra. Rosali Terezinha Chiamenti Libardi, concedeu entrevista à Rádio Uirapuru, no programa Repórter do Povo, onde fez uma análise detalhada sobre o trabalho do Tribunal do Júri em 2024. Ela, que assumiu a Vara Criminal há três anos, ressaltou tanto os avanços quanto os desafios enfrentados ao longo de sua carreira, destacando as melhorias na celeridade dos julgamentos e a colaboração entre diversas entidades para o bom andamento da Justiça.
Avanços no Tribunal do Júri e desafios com processos antigos
Rosali iniciou a entrevista destacando o esforço constante do Judiciário para reduzir o acervo de processos que aguardam julgamento. Ela mencionou que, ao assumir a Vara Criminal, encontrou casos antigos e de extrema gravidade, como homicídios ocorridos em 2012 e 2013, que ainda estavam pendentes de julgamento. “O trabalho que fizemos foi de arregaçar as mangas e ir à luta”, afirmou a juíza, explicando que, em 2022, foram realizados 120 júris, em 2023, 90, e este ano a previsão é de que 70 júris sejam realizados antes do recesso do judiciário. Ela creditou a redução dos processos à adesão do Ministério Público, da Defensoria Pública, e dos advogados, que, muitas vezes, atuaram de forma gratuita para ajudar a agilizar o julgamento dos casos. Além disso, ressaltou a importância do trabalho dos servidores da primeira vara criminal, que, segundo ela, desempenharam um papel fundamental no sucesso da ação.
Perfil dos crimes julgados e a celeridade nas decisões
Em relação ao perfil dos crimes julgados em 2024, Dra. Rosali destacou que os homicídios relacionados ao tráfico de drogas e os feminicídios foram predominantes. Ela observou que esses tipos de crimes são frequentemente julgados com maior rapidez, o que contribui para um melhor resultado. “Quanto mais rápidos são os julgamentos, mais eficazes são as provas e as decisões”, explicou a juíza. Por outro lado, ela lamentou a dificuldade de instruir processos antigos, já que muitas vezes as vítimas ou testemunhas não podem mais ser localizadas. “A justiça tardia é uma justiça falha”, afirmou, refletindo sobre os desafios que esses casos pendentes trazem para a Justiça.
A revolução das novas tecnologias e os desafios no pós pandemia
Durante a entrevista, Dra. Rosali também falou sobre o impacto das novas tecnologias no Judiciário, especialmente após a pandemia. Ela destacou que uma das lições positivas da crise sanitária foi a implementação de audiências virtuais, que facilitaram o andamento dos processos sem a necessidade de presença física das partes envolvidas. Como exemplo, ela mencionou uma audiência realizada recentemente, onde uma testemunha residente nos Estados Unidos foi ouvida de forma remota. “As novas tecnologias facilitaram muito o trabalho do Judiciário. Hoje, conseguimos contornar essa dificuldade”, explicou a juíza, que também citou o uso de videoconferências para audiências de réus presos, que participam diretamente dos presídios.
Os ouvintes do programa interagiram, elogiando a adoção dessas tecnologias e sugerindo que outros setores seguissem esse exemplo para tornar os serviços mais eficientes e proveitosos para a sociedade.
Aposentadoria e Reflexões sobre a Carreira
Dra. Rosali também compartilhou com os ouvintes que se aposentará em março de 2025, encerrando sua carreira com a “consciência tranquila”. Ela detalhou que, ao deixar o cargo, a Vara Criminal será assumida por um juiz substituto, que dará continuidade ao trabalho, julgando, possivelmente, apenas os casos mais urgentes e graves, como os que envolvem réus presos. “Os demais casos provavelmente terão que aguardar”, explicou.
Rosali mencionou que possui os requisitos para aposentadoria desde 2013 e que tem trabalhado por mais de 11 anos com dedicação e comprometimento por amor a camisa. Ela também lamentou a situação de muitos processos que não conseguiu julgar durante sua carreira, especialmente os de extrema gravidade, que causaram comoção social. “Fico triste quando vejo processos de grande repercussão parados. Isso me sensibiliza muito”, disse, destacando a satisfação quando consegue realizar os julgamentos e ver a justiça sendo feita, o que proporciona alívio para as famílias das vítimas.
Desafios do Sistema Prisional e a Ressocialização
A juíza também se pronunciou sobre o sistema prisional e a necessidade de uma ressocialização mais efetiva dos detentos. Ela afirmou que o poder executivo deve oferecer mais oportunidades para que os presos possam se reintegrar à sociedade de forma digna após cumprirem suas penas. “Existem muitas falhas e carências no sistema, falta de pessoal e de projetos para que a ressocialização aconteça de forma efetiva”, afirmou Rosali.
Agradecimentos e Reconhecimento ao Trabalho da Rádio Uirapuru
Ao final de sua entrevista, Dra. Rosali fez questão de agradecer à Rádio Uirapuru pela parceria e pelo apoio na divulgação do trabalho do Judiciário. “A Rádio Uirapuru tem sido uma grande parceira na comunicação com a sociedade e no apoio à divulgação dos resultados do nosso trabalho”, concluiu a juíza, destacando a importância da transparência e do diálogo com a população.