Juiz de São Lourenço do Sul extingue mandato de suplente de vereador envolvido em fraude na fila do SUS
Em sentença publicada ontem (24), deferida pelo juiz eleitoral da cidade gaúcha de São Lourenço do Sul, foi extinguido o mandado do suplente de vereador Altair Soares Fonseca (PDT), conhecido como Caco do Posto. Os votos recebidos por ele na eleição de outubro de 2016 foram anulados.
O frentista, Caco do Posto, é investigado em um esquema para furar a fila do Sistema Único de Sáude em troca de votos.
A decisão foi tomada após uma ação de impugnação de mandato eletivo ajuizada pelo Ministério Público Eleitoral. Por ser uma decisão em primeira instância, ainda cabe recurso.
Em outubro do ano passado, o frentista foi flagrado no posto de gasolina onde trabalha, em São Lourenço do Sul, negociando exames de imagem pelo SUS em troca de R$ 50, sem passar pela fila. Ele também pedia votos aos pacientes.
Na sentença, o juiz eleitoral Cleber Fernando Cardoso Pires decidiu, além declarar nulos todos os votos recebidos pelo suplente de vereador no último pleito, desconstituir um eventual mandato. Ou seja, ele está impedido de ser empossado pela Câmara Municipal.
Candidato a vereador não eleito na cidade gaúcha, ele disse na época que a fraude era operada pelo deputado federal Giovani Cherini (PR) e por um auxiliar dele. “Faz três anos que eu venho fazendo isso para o deputado Cherini. Se amanhã ou depois der uma zebra, ele pode ser até cassado por causa disso daí”, admitiu na ocasião, sem saber que estava sendo gravado.
Giovani Cherini foi expulso em maio do PDT após ter votado a favor do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara e ter ido contra a orientação do partido, contrário ao afastamento. Atualmente ele é do PR.
O deputado federal disse em nota emitida na época da denúncia que não tem qualquer tipo de relação com o frentista, “que jamais prestou serviços ao respectivo escritório político”.
O PDT afastou o suplente de vereador após o episódio e disse em nota “que o seu comportamento e atitude nada diz respeito a orientação do PDT”.
Relembre o caso
O esquema acontecia em um posto de gasolina de São Lourenço do Sul, no Sul do estado, onde o frentista e suplente negociava por R$ 50 exames de imagem pelo SUS sem passar pela fila do sistema. Nas imagens mostradas pela reportagem do Fantástico, ele diz que a fraude é operada pelo deputado federal Giovani Cherini (PR) e por um auxiliar dele, Martinho Brum.
O dinheiro pago pelo exame dá direito a um serviço completo: quando chegam em Porto Alegre, os pacientes são recebidos pelo assessor do deputado Cherini, Martinho de Brum. Ele é responsável por levá-los até a clínica Radicom, credenciada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), gestora do SUS na capital gaúcha.
*G1