Estimativa aponta queda na produção de soja no Rio Grande do Sul devido à estiagem
A produção de soja no Rio Grande do Sul deve registrar queda significativa na atual safra. De acordo com levantamento divulgado pela Emater durante a Expodireto, a colheita do grão está estimada em cerca de 19,01 milhões de toneladas, número que representa uma redução de 11,3% em comparação com a projeção inicial apresentada em 2025.
A retração da soja também impacta diretamente o resultado da safra de verão no Estado, que agora está estimada em aproximadamente 32,83 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 7,1% em relação à previsão anterior.
Além da soja, outras culturas também apresentaram recuo nas estimativas de produção. O arroz teve redução de 3,1%, o feijão da primeira safra registrou queda de 11,6%, enquanto o feijão da segunda safra apresentou a maior retração, com 28,6% a menos na projeção. O destaque positivo ficou por conta do milho, cuja produção deve alcançar 5,96 milhões de toneladas, com crescimento de 3%.
Segundo a Emater, a redução na produção de soja está diretamente ligada aos efeitos da estiagem, que atingiu diferentes regiões do Estado de forma desigual. Entre as áreas mais afetadas está a região de Santa Rosa, onde a previsão é de colheita de cerca de 784 mil toneladas, representando queda de 27%. Também tiveram perdas expressivas as regiões de Frederico Westphalen, com redução de 13,4%, e Ijuí, com queda de 13,2%. Por outro lado, revisões positivas foram registradas nas regiões de Pelotas, com aumento de 9,8%, e Porto Alegre, com leve alta de 0,1%.
O presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Moisés Baldissera, destacou que além da redução na produtividade, houve também diminuição na área plantada, o que agrava o cenário. Em algumas localidades da região de Santa Rosa, segundo ele, há propriedades com perdas que ultrapassam 50% ou até 60% da produção, o que gera forte impacto econômico para os agricultores.
Baldissera também alertou que o momento é delicado para o setor, já que muitos produtores enfrentam endividamento acumulado e dificuldade de acesso ao crédito, o que pode refletir não apenas nesta safra, mas também nas próximas temporadas agrícolas.
O secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Bohrer Paim, afirmou que os números precisam ser analisados com cautela devido às diferenças de impacto entre as regiões. Ele lembrou que o Rio Grande do Sul vem enfrentando sucessivas estiagens nos últimos anos, e destacou programas do governo estadual voltados ao apoio ao produtor rural, como o Milho 100% e o Terra Forte, que trata da recuperação do solo.
Segundo o secretário, uma das principais preocupações do setor atualmente é a ampliação de sistemas de irrigação, considerada uma medida essencial para enfrentar as mudanças climáticas e reduzir os impactos de períodos prolongados de seca.