Costinha é condenado a 57 anos de prisão pela chacina da Cohab em Passo Fundo
O júri realizado na 1ª Vara Criminal Especializada em Júri da Comarca de Passo Fundo condenou, na noite desta sexta-feira (12), Luciano Costa dos Santos, o “Costinha”, a 57 anos de reclusão em regime inicial fechado. O réu foi considerado culpado em todos os termos da acusação apresentada pelo Ministério Público, que apontava sua participação na morte de Dienifer Padia, Kétlyn Padia dos Santos e Alessandro dos Santos, assassinados em 2020.
Dois dias de julgamento
O julgamento começou na quinta-feira (11) e se estendeu por dois dias intensos de oitivas, depoimentos e debates.
No primeiro dia, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa. A mãe de Dienifer, Catarina da Rosa, relatou ameaças sofridas pela filha e o impacto devastador do crime na família. O vizinho Rui Ortiz descreveu o momento em que recebeu a criança, filha de Dienifer, logo após o crime, e detalhou a cena encontrada dentro da residência. A delegada Daniela Minetto reforçou a tese de conluio entre os acusados e citou manobras de manipulação de versões.
Ainda na quinta-feira, o próprio réu Luciano Costa dos Santos foi ouvido. Ele negou participação no crime, disse ter sido vítima de uma armação e pediu absolvição aos jurados.
Já no segundo dia, o julgamento avançou para a fase de debates. O Ministério Público, representado pelo promotor Leonardo Giardin de Souza, e a assistência de acusação, com o advogado Gustavo da Luz, sustentaram que o conjunto probatório era suficiente para a condenação. A defesa de Costinha apresentou tese de negativa de autoria e buscou convencer os jurados da inocência do réu.
Encerrados os debates, os sete jurados — quatro homens e três mulheres — se reuniram em sala secreta e, após deliberação, reconheceram a culpabilidade de Costinha em todos os pontos da denúncia.
Relembre o crime
A chacina aconteceu em 19 de maio de 2020, no bairro Edmundo Trein (Cohab), em Passo Fundo. Segundo a denúncia, as vítimas foram mortas por asfixia, mediante dissimulação e motivação fútil. A investigação apontou que Luciano Costa dos Santos teria participado do planejamento, monitoramento das vítimas e repasse de valores aos executores, que até hoje não foram identificados.
O crime foi atribuído a um contexto de desavenças pessoais envolvendo Eleandro Roso, apontado como mandante e já condenado, e sua companheira, Fernanda Rizotto e Claudiomir Rizotto que seguem presos aguardando julgamento.
A sentença
Após a leitura da ata e da decisão do Conselho de Sentença, o juiz presidente fixou a pena de 57 anos de prisão em regime inicial fechado para Luciano Costa dos Santos.
Com a condenação, Costinha permanece preso e deverá cumprir a pena em estabelecimento prisional do Estado.