Chacina da Cohab: Mãe de Diênifer Padia é a primeira a depor no júri de Costinha
No primeiro dia do novo julgamento de Luciano Costa dos Santos, o Costinha, acusado de envolvimento em três homicídios qualificados ocorridos em maio de 2020, a mãe de uma das vítimas abriu a fase de depoimentos. Catarina da Rosa, mãe de Diênifer Padia, foi a primeira testemunha a falar em plenário nesta quinta-feira (11), no Fórum de Passo Fundo.
Respondendo às perguntas do Ministério Público, Catarina relatou o impacto da tragédia na vida da família, em especial das crianças, que seguem em tratamento médico e psicológico desde o crime. Ela também lembrou o sofrimento da esposa de Alessandro dos Santos, outra das vítimas, que chegou a ser internada e tentou tirar a própria vida após os fatos.
Em sua fala, a mãe contou detalhes da relação de Diênifer com Eleandro Roso, patrão dela na época e apontado como mandante do crime. Segundo o depoimento, Diênifer mantinha um relacionamento extraconjugal com Eleandro e engravidou, o que gerou conflitos após a descoberta por parte de Fernanda, esposa de Roso. Catarina disse que as ameaças começaram ainda quando a família trabalhava na granja do patrão e citou um episódio em que Diênifer recebeu uma boneca mutilada como forma de intimidação.
A testemunha reforçou que, desde o início, a família suspeitava de Eleandro e Fernanda, e que a própria Diênifer costumava alertar: “Se algo me acontecer, serão eles os responsáveis”. Catarina também destacou que as vítimas não tinham qualquer envolvimento com tráfico de drogas ou outras situações que pudessem justificar os assassinatos.
Após o crime, ela recebeu a guarda da filha de Diênifer com Eleandro, mas relatou que o condenado não paga pensão regularmente. Emocionada, contou que a criança sofre com a ausência da mãe, relembrou que chorou no último Dia das Mães e que faz acompanhamento psicológico.
Embora inicialmente estivessem previstas dez testemunhas, apenas sete devem ser ouvidas neste júri: cinco da acusação e duas da defesa. Os executores do crime nunca foram identificados.
Atualmente, Eleandro Roso cumpre pena após ser condenado como mandante do crime. Já Fernanda e Claudiomir Rizotto seguem presos aguardando julgamento. Monalisa Anunciação, que era companheira de Costinha na época, foi julgada e absolvida de todas as acusações. Costinha, por sua vez, permanece preso e responde agora a novo julgamento.
A Rádio Uirapuru acompanha o júri diretamente do Fórum de Passo Fundo, com cobertura especial do repórter do Tribunal, Leandro Vesoloski.