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Justiça

Caso Kiss: dono da boate será testemunha de defesa de pais de vítimas

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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Um dos réus responsabilizados pelas mortes do incêndio da boate Kiss, Elissandro Kiko Spohr, o Kiko será testemunha de defesa de alguns pais das vítimas, eles são processados pelo Ministério Público. O acidente na boate Kiss, em Santa Maria matou 242 pessoas em janeiro de 2013. Processado por homicídio das 242 pessoas, Kiko é o dono da boate Kiss.

 

O pedido foi aceito agora pela Justiça, apesar de o Ministério Público se opor e ter tentado invalidar a convocação de Kiko como testemunha. Alguns pais de jovens mortos na boate são processados por calúnia (acusar alguém falsamente por um crime) pelo promotor Ricardo Lozza. Eles espalharam cartazes dizendo que Lozza permitiu que a Kiss funcionasse, mesmo com todos os defeitos que acabariam por gerar a mortandade: uma só saída do prédio, barreiras de metal próximas às portas (que funcionaram como armadilhas) e espuma isolante de ruído (que se revelou tóxica e mortífera ao pegar fogo).

 

No outro lado, o promotor e dois colegas moveram ação contra Flávio Silva (presidente do movimento Do Luto à Luta) e outros integrantes da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria. Flávio Silva então arrolou como testemunha Kiko Spohr e seu advogado, Jader Marques. 

 

Em recente depoimento prestado à Justiça, Kiko declarou que a boate funcionava naqueles termos porque o Ministério Público permitiu e fez acordo nesse sentido. Jader, então, solicitou à Justiça que os familiares das vítimas possam apresentar “exceção da verdade”. Ela consiste na oportunidade que tem o acusado de provar a veracidade do que está afirmando, o que afasta a acusação inicialmente formulada.

 

O advogado alega que a afirmação dos familiares de vítimas (“O Ministério Público e seus promotores também sabiam que a boate estava funcionando de forma irregular”) não contém uma inverdade, não é falsa, não é mentirosa.

 

O Ministério Público argumenta que a calúnia existiu, pelo simples fato de que um inquérito sobre possível negligência do promotor Lozza em relação ao funcionamento da boate Kiss foi arquivada pelo Procurador-Geral de Justiça e, posteriormente, pelo Tribunal de Justiça. 

 

O juiz concordou com a tese do advogado Jader Marques de que os parentes de vítimas poderão usar Kiko como testemunha. A convocação será feita por Pedro Barcellos Junior, advogado de Flávio Silva, integrante da Associação de Familiares de Vítimas da Kiss. 

*Rádio Gaúcha