Bens de Maurício Dal Agnol serão leiloados pela Justiça Federal em Março
A Justiça Federal de Passo Fundo vai leiloar parte dos bens do ex-advogado Maurício Dal Agnol em março. Os lotes com os bens incluem itens diversos como terrenos urbanos, salas comerciais, terras rurais e também o prédio da Avenida Brasil, na Petrópolis, onde estava localizado o escritório de Dal Agnol. Somente este imóvel está avaliado em R$31,4 milhões e o total dos lotes passa de R$ 64 milhões de Reais.
O ex-advogado tem uma dívida com a união de R$ 52,4 milhões, sendo que responde ainda por centenas de ações que tramitam na justiça do Estado.
O leilão será dividido em duas partes que acontecerão nos dias 15 e 24 de março. Tudo será feito de forma eletrônica. O edital tem a assinatura do juiz Ricardo Soriano Fay, substituto da 1ª Vara Federal de Passo Fundo.
Após a venda dos bens, os valores arrecadados serão utilizados para quitação da dívida tributária, do passivo trabalhista e dos créditos oriundos da Justiça Estadual, observados os critérios legais de preferência.
RELEMBRE O CASO
A Polícia Federal, com apoio do Ministério Público Estadual/RS, desencadeou em fevereiro de 2014 a Operação Carmelina, com o objetivo de desarticular organização criminosa formada principalmente por advogados e contadores.
O grupo criminoso pode ter lesado mais de 30 mil pessoas no Rio Grande do Sul em valores que superariam R$ 100 milhões.
“Carmelina” é o nome de uma senhora, lesada pelo grupo, que faleceu em decorrência de um câncer. Ela poderia ter um tratamento mais adequado se tivesse recebido a quantia aproximada de cem mil reais a que teria direito, valor que os criminosos nunca lhe repassaram.
A investigação iniciou no ano de 2012, por representação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público Federal (MPF). Foi apurado que uma renomada banca de advogados, com sede principal em Passo Fundo, captava clientes e ajuizava ações contra uma empresa de telefonia. As ações eram julgadas procedentes e o valor recebido não era repassado aos clientes ou era pago em quantia muito menor da que havia sido estipulada na ação. Se o cliente tinha direito a receber R$50 mil na ação, era repassado um valor muito menor, descontado ainda honorários em alguns casos.
O líder da organização , o advogado Maurício Dal Agnol, possuía um vasto patrimônio com centenas de imóveis, avião a jato, automóveis de luxo e milhões de reais em contas bancárias e até imóveis no exterior. O acusado de comandar o esquema, ficou preso por cinco meses, e foi solto após nove pedidos de liberdade negados.
Desde então o caso teve várias reviravoltas, com bens bloqueados, desbloqueados e agora leilão de uma parte deles. Hoje Dal Agnol está em liberdade. Conforme a Associação das Vítimas do ex-advogado, a dívida com cerca de 5 mil clientes é de aproximadamente R$ 400 milhões de Reais.