Atitudes agressivas devem ser tratadas desde cedo para evitar tragédias como o Massacre no Texas
Um massacre registrado nesta semana em uma escola de ensino fundamental no Texas, Estados Unidos, deixou 21 pessoas mortas, sendo 19 crianças com menos de 10 anos e duas professoras. O autor dos ataques, um jovem de 18 anos, ainda atirou contra a própria avó antes de invadir o colégio. No entanto, este não é um caso isolado nos Estados Unidos. Entre diversos ataques similares, o massacre no Texas foi o segundo mais letal já registrado em escolas na história do país. Ao longo das últimas décadas, os Estados Unidos também foram palco de, ao menos, outros 12 casos parecidos. Estes ataques seguem um padrão, onde atiradores, muitas vezes ex-alunos dos próprios colégios, entram nas escolas armados, matando alunos e professores.
Falando sobre o assunto na Uirapuru, o psiquiatra Dr. Carlos Hecktheuer, declarou que uma das possibilidades deste ataque, pensando com a cabeça do atirador, pode ser o preconceito contra latino-americanos e estrangeiros, já que a escola era aberta para crianças de diversos países. De acordo com Hecktheuer, algumas pessoas se sentem acoadas com o que é diferente, um preconceito enraizado que precisa ser evitado desde cedo.
Outra questão a se considerar, segundo o psiquiatra, é que o atirador já tinha referências de conflitos familiares muito grandes, que extrapolaram os limites de casa e foram para a sociedade. Este fato entra em pauta, conforme Hecktheuer, porque ele atirou na própria avó antes de cometer o massacre.
O psiquiatra alerta que a criação dentro de casa é fundamental para o comportamento de todas as pessoas. A criação de um indivíduo em ambientes violentos, como possivelmente foi o caso deste assassino do Texas, influencia no futuro das pessoas. Um ambiente onde pai e mãe relacionam-se mal, brigando e se agredindo, pode formar a personalidade dos futuros adultos. E quando essa pessoa é doente desde cedo, sem observação e cuidados profissionais, acaba tornando-se um possível assassino, que fica vagando sem ser interrompido.
Carlos Hecktheuer ainda explica que o jovem atacou uma escola de crianças por querer executar seu intuito, que era matar a maior quantidade de pessoas, sem ser interrompido. Como crianças são inocentes e não oferecem defesa ou formas de confronto, atiradores acabam invadindo estes ambientes para realizarem massacres.
O psiquiatra ainda explicou que estas tragédias ocorrem principalmente nos Estados Unidos por este ser um país doente, onde a agressividade é algo cultural não manejado corretamente. Apesar de ser um país evoluído em várias questões, Hecktheuer considera que na segurança os americanos deixam a desejar. Segundo ele, para estar habilitado a conseguir armamento pesado nos Estados Unidos, basta a pessoa ter bons antecedentes, sem necessitar testes psicológicos. Isso facilita o acesso as armas que, posteriormente, são usadas na maioria dos casos de massacres em ambientes públicos.
Dr. Carlos Hecktheur afirma que uma pessoa que comete este tipo de crime não tem cura, mas é possível evitar casos extremos como este do Texas. Segundo o psiquiatra, é preciso ter cada vez mais assistência às infâncias, cuidado das famílias e acompanhamento profissional em torno do desenvolvimento de crianças problemáticas, principalmente as com sinais de agressividade permanentes. Hecktheur ressalta que atitudes como essas não podem ser tratadas como algo normal e devem ser evitadas desde cedo para evitar tragédias como este massacre ocorrido nos Estados Unidos.