Skip to content

Justiça

AO VIVO DIRETO DO FÓRUM : Casal acusado de participar da Chacina da Cohab será julgado nesta terça-feira

Públicado em Por RD Uirapuru / Leandro Vesoloski

Um dos crimes mais bárbaros e de maior repercussão na comunidade Passo-fundense deverá ter mais um capítulo nesta terça-feira, 13 de agosto de 2024. Um ex policial militar e sua companheira serão julgados por ter participação no caso que ficou conhecido como Chacina da Cohab, ocorrido em 2020 em Passo Fundo.

A partir das 09h  sentaram no banco dos réus Luciano Costa dos Santos (Costinha) e sua companheira, Monalisa Kich Anunciação. A Uirapuru está ao vivo no Fórum local acompanhando este importante julgamento com boletins e imagens.

A Juíza Roseli Therezinha Chiamenti Libardi se declarou suspeita por motivos de foro intíntimo quem presidirá a sessão será o Juiz de Direito Dr. Luciano Bertolazi Gauer.

O crime

A fria noite de maio de 2020 ficou marcada por um triplo assassinato: Dienefer Padia, 26 anos, seu cunhado, Alessandro dos Santos, 34, e a filha dele Ketlin Padia dos Santos de 15 anos de idade foram executados asfixiado dentro da residência onde viviam. O fato aconteceu na rua Ernesto Ferron.

No momento do crime haviam seis pessoas na casa. As três que foram mortas e mais três crianças, filhas de Diênifer. Na residência dos fundos, estava a esposa de Alessandro. Segundo relatos, uma das crianças, de 6 anos, foi quem saiu da casa, avisou os vizinhos e pediu ajuda.

Motivação para a Chacina

Conforme a Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa de Passo Fundo (DHPP), Dienifer trabalhou em uma propriedade rural, em Casca, e teve uma relação extraconjugal com seu patrão, Eleandro Roso que é casado. Na relação, Dienifer engravidou do homem, porém escondeu que estava grávida.

No momento em que mulher de Eleandro, Fernanda Rizzotto, teve conhecimento do relacionamento, Dienifer foi expulsa do trabalho, onde ela também residia, e retornou para Passo Fundo. A esposa do patrão só teve conhecimento que o filho da empregada era de seu marido, após o nascimento da criança.

Ao retornar para Passo Fundo, primeiramente, Dienifer foi morar no Bairro Cruzeiro. Ali, ela começou a receber ameaças. No início do ano recebeu, em casa, uma caixa com uma boneca mutilada.

De acordo com a polícia, Eleandro passou a ser extorquido pela ex-funcionária. A casa no Bairro Cohab foi comprada pelo homem para usufruto da criança.

A investigação apontou que Eleandro, Fernanda e o irmão dela, Claudiomir Rizzotto resolveram tirar a vida de Dienifer por estar extorquindo seu ex-patrão.

Há alguns anos, Claudiomir trabalhou em um posto de combustíveis, onde conheceu Luciano Costa dos Santos (Costinha), que fazia a segurança do estabelecimento. Costinha, que foi expulso da Brigada Militar, recebeu a proposta para cometer o crime.

Na época do fato, o ex-pm, com passagens pela polícia, possuía uma empresa de segurança. Costinha terceirizou o trabalho, contratando dois homens para matar Dienifer.

PLANEJAMENTO DO CRIME

Monalisa Kich Anunciação, mulher de Costinha, que terceirizou o trabalho, comprou um celular de Dienefer via internet. Acompanhada de um taxista ela foi até a residência, buscou o aparelho e fez fotos da parte interna e externa da casa.

Dienifer fez um novo anúncio na internet, dessa vez, estava vendendo uma estante. A venda não foi realizada. Os supostos compradores foram até a residência na noite de 19/05/2020 e cometeram a chacina.

A polícia destacou que o alvo era apenas Dienifer, e que sua sobrinha e cunhado estavam no “lugar errado e na hora errada”. Todos foram asfixiados e mortos com lacres “engasga gato”.

Cinco pessoas foram indiciados pelas mortes. Foram eles, Eleandro, Fernanda Rizzotto e Claudiomir Rizzotto, mulher e cunhado de Roso, além do ex-policial militar Luciano Costa dos Santos e Monalisa Kich Anunciação.

Atualmente, apenas duas pessoas estão presas: Luciano Costa dos Santos e Eleandro Roso. Monalisa não teve prisão decretada e responde o processo em liberdade. Os irmãos, Fernanda e Claudiomir estão foragidos desde a elucidação do caso, quando tiveram suas prisões decretadas.

Defesa

Na manhã desta segunda-feira, 12, a defesa dos réus que é feita pelo advogado criminalista José Paulo Schneider respondeu a reportagem da Uirapuru através de uma nota oficial.

Confira o que disse a Defesa:

A defesa técnica de Luciano e Monalisa, a cargo do criminalista José Paulo Schneider, afirma que demonstrará em Plenário que existem importantes falhas nas investigações e no processo que foram determinantes para o caso, além de registrar sua inteira confiança no Conselho de Sentença, que, após analisar as provas e os argumentos das partes, certamente chegará a uma justa decisão.

 

Schneider também reafirma que, passados mais de 4 anos, ainda há dois foragidos e a incerteza quanto à identificação dos dois executores, o que torna extremamente temerosa e preocupante a ideia da Justiça considerar que esse caso esteja devidamente elucidado.

José Paulo Schneider

OAB/RS 102.244