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Justiça

Advogados que fazem acordo sem o cliente saber e recebem dinheiro de adversário, ferem a credibilidade da classe

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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O esquema milionário movimentado pelo ex-advogado Maurício Dall Agnol teve nova revelação: conforme investigação do Ministério Público, outros  30  advogados no Estado faziam ações semelhantes, sendo que ao menos dois teriam ligações com Dal’Agnol. Na casa de Dal’Agnol foi encontrada uma lista com ao menos 20 nomes de advogados e valores recebidos, que poderão ser agora investigados da mesma forma.

 

O método era fazer acordos, sem o conhecimento dos clientes, com a empresa de telefonia, renunciando dos direitos a que o cliente teria de indenização, mas ficando com uma boa parte para o advogado. Aos clientes era repassado valores bem inferiores. Em um dos casos a ação era de R$270 mil e a cliente, que contratou o advogado, ficou com R$1.400.

 

Este tipo de operação está despertando a desconfiança de muitas pessoas, que, não necessariamente neste caso, também movem ações de indenização e ficam sabendo pelo advogado contratado o valor que recebem, já que não estão presentes nas decisões do juiz.

 

Isso ocorre porque, na maioria dos casos, o advogado recebe uma procuração do seu cliente, assinada, onde dá plenos direitos ao advogado, renunciando qualquer decisão.

 

Em entrevista na Uirapuru, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul, Ricardo Breier, afirmou que a entidade está atenta qualquer irregularidade, tanto que até agora 41 advogados tiveram o registro profissional excluído no Estado e não podem mais atuar. Outros seis mil estão com o registro suspenso. Breier garantiu que todas as situações são julgadas pela OAB e se ficar comprovado que o profissional agiu de má-fé, ele será punido.

 

O presidente Breier explicou que, do ponto de vista legal, o advogado que tiver uma procuração assinada pelo cliente, onde desiste de qualquer decisão, dando plenos poderes ao advogado pode tomar as decisões que achar necessária no curso do processo.

 

Falando sobre a categoria, Breier explicou que mais de 90% trabalha dentro da ética e ações como esta mancham a imagem da profissão.No entanto, esclarece que as ações dos advogados são sempre guiadas dentro do código de ética da categoria, onde toda e qualquer decisão no processo deve ser comunicada ao cliente. Se este aceitar, então o advogado fará da forma que foi proposta.

 

Breier recomendou que os clientes leiam e analisem bem a procuração a ser assinada e tenham ciência ao dar plenos poderes aos profissionais. Sem estes plenos poderes, passados em procuração, qualquer decisão unilateral do advogado no caso não é permitido.