Skip to content

Justiça

Acusado de ser mandante do triplo assassinato foi condenado a mais de 69 anos de cadeia em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Foi condenado a 69 anos e seis meses de prisão o homem apontado como um dos mandantes do triplo assassinato no Bairro Cohab em Passo Fundo no ano de 2020. Dienefer Pádia, Alessandro dos Santos e ketlin Pádia foram mortos asfixiados com engasga gato na casa onde residiam.

Eleandro Roso sentou no banco dos réus e, após 12 horas, teve sua sentença lida pela Juíza RosaliTerezinha Chiamenti Libardi.

O júri começou às 8h, ouviu testemunhas e o réu, que, emocionado, disse ser inocente e não estar envolvido na morte das três pessoas.

Escoltado pela Polícia Penal, Eleandro retorna ao Presídio de Passo Fundo para o cumprimento da pena.

De acordo com o advogado Ezequiel Vetoretti, que trabalhou na defesa do acusado, não existe nenhum elemento concreto no processo que ligue Eleandro como Mandante. O defensor relatou que irá recorrer e espera a anulação do júri.

O promotor do Ministério Público, Fernando Alves, que trabalhou na acusação, disse que a Justiça foi feita e agora é aguardado o julgamento dos demais réus e a captura nos dois foragidos.

De acordo com o advogado Gustavo da Luz, que acompanhou a família das vítimas e trabalhou como assistência de acusação, “a prova do processo era clara e a comunidade de Passo Fundo fez Justiça”

SOBRE O CRIME

A investigação da polícia apurou que Dienifer trabalhou em uma propriedade rural, em Casca, e teve uma relação extraconjugal com seu patrão, Eleandro, que é casado. Na relação, Dienifer engravidou do homem, porém escondeu que estava grávida e depois teria iniciado chantagens contra o ex-chefe.

Através dessas informações, a Polícia Civil concluiu que Eleandro, a esposa dele e o cunhado planejaram matar a ex-funcionária, por estarem sendo extorquidos.

Cinco pessoas foram indiciadas pelo crime: O ex-patrão de Dienefer, a mulher dele Fernanda Rizzotto, e o irmão dela Claudiomir Rizzotto que foram apontados como mandantes. Ainda, Luciano Costa dos Santos, ex-pm e a mulher dele, Monalisa Kich Anunciação que foram contratados para matar. Os dois contratados terceirizaram o trabalho e contrataram dois matadores, que até hoje não foram identificados.

Os irmãos estão foragidos e a mulher do ex-pm responde o processo em liberdade.

O PLANEJAMENTO DA EXECUÇÃO

Segundo a Polícia Civil, a mulher do ex-pm comprou um celular da vítima, via internet. Ela foi até a residência buscar o aparelho, acompanhada de um taxista e efetuou registros fotográficos dentro da residência.

A morte aconteceu quando a vítima receberia supostos interessados em uma estante, também anunciada pela internet. Até hoje os dois não foram identificados.

De acordo com informações divulgadas pela Delegacia de Homicídios na época dos fatos, Alessandro e sua filha, Ketlin Padia não eram alvos da execução. Os criminosos entraram na casa com o objetivo de matar Dienifer, mas os dois também acabaram mortos pelos executores.

MUTIRÃO DEVE REALIZAR 115 JÚRIS ATÉ O FINAL DO ANO

Um regime de mutirão foi adotado pela Vara do Júri de Passo Fundo desde fevereiro deste ano. O mutirão tem como objetivo dar mais rapidez aos processos.

“Arregacemos as mangas e fomos trabalhar”

De acordo com a Juíza de Direito, Rosali Terezinha Chiamenti Libardi, o mutirão deve completar 117 júris até o fim do ano de 2022. Muitos desses processos são antigos e estavam fadados a prescrição.

 

 

Nota do advogado Ezequiel Vetoretti

A defesa respeita a decisão do Conselho de Sentença, que por apertadíssima maioria, concluiu pela condenação. Os três votos absolutórios, no entanto, nos dão a certeza de que existem elementos idôneos de sobra a demonstrar a inocência de Eleandro Roso. Certamente iremos recorrer, pois entendemos que a decisão dos quatro jurados que optaram pela condenação é manifestamente contrária à prova dos autos.

Trabalharam comigo nesse processo, o meu sócio Rodrigo Grecellé Vares e também o advogado Rodrigo Strello Salomão.