Último Uirapuru Ecologia de 2025 faz balanço das ações ambientais em Passo Fundo
O Uirapuru Ecologia encerrou a programação de 2025 com uma edição especial no sábado (27) dedicada à retrospectiva das ações ambientais em Passo Fundo. O programa fez um balanço dos avanços, desafios e perspectivas para 2026, com foco nas mudanças climáticas, políticas públicas e participação da sociedade.
Participaram do programa Ademar Marques, da Agenda 21 de Passo Fundo, e Paulo Fernando Cornélio, representante do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP).
Paulo Cornélio destacou que os eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos não podem mais ser tratados apenas como fenômenos naturais, mas como reflexo direto da crise climática causada pelo atual modelo de desenvolvimento.
Segundo ele, embora o Brasil possua uma legislação ambiental avançada, o principal desafio continua sendo fazer com que essas leis sejam efetivamente cumpridas. Cornélio ressaltou a importância da participação da sociedade civil e da educação ambiental como ferramentas fundamentais para mudar hábitos e garantir sustentabilidade a longo prazo.
O ambientalista também citou como avanço local a criação da Escola de Sustentabilidade em Passo Fundo e o trabalho das frentes parlamentares do Meio Ambiente e de Água e Saneamento na Câmara de Vereadores. No entanto, alertou que o maior problema ambiental do município segue sendo a gestão dos resíduos sólidos. De acordo com Cornélio, mesmo com um plano municipal em vigor desde 2016, menos de 10% dos resíduos são reaproveitados, enquanto a maior parte acaba sendo enterrada, o que gera impactos ambientais, sociais e financeiros. Para ele, é urgente que o poder público trate o tema como prioridade histórica.
De acordo com Ademar Marques, o Brasil é referência mundial em legislação ambiental e energias renováveis, mas enfrenta dificuldades na aplicação prática das normas. Ele afirmou que o maior vilão ambiental do país não são os combustíveis fósseis, mas o desmatamento e as queimadas.
Entre os avanços de 2025, Marques destacou a transição energética, o crescimento do uso de energias renováveis e a mudança de postura do setor empresarial, que passou a incorporar a sustentabilidade na gestão. Em Passo Fundo, citou iniciativas ligadas à inovação, tecnologia e economia criativa como sinais positivos dessa mudança cultural.
Por outro lado, o representante da Agenda 21 também reforçou que a gestão dos resíduos sólidos é o principal desafio ambiental do município. Segundo ele, apesar da existência de um plano municipal, a cidade está longe de atingir as metas previstas, especialmente no reaproveitamento de resíduos orgânicos e recicláveis. Ademar Marques defendeu maior liderança do poder público, investimento técnico e ampliação da coleta seletiva por bairros, aliada a ações contínuas de educação ambiental. Para ele, a sustentabilidade em Passo Fundo depende de planejamento, compromisso político e engajamento da população.