Uirapuru Ecologia: Religiões de matriz africana e a questão ambiental
O programa Uirapuru Ecologia desde sábado (31), abordou a profunda relação entre as religiões de matriz africana e a preservação ambiental. O convidado, Ipácio Carolino, ativista negro e um estudante de história, cacique de umbanda, babalorixá e radialista.
Ele destacou a conexão ancestral entre as divindades e os elementos da natureza, evidenciando a responsabilidade dos adeptos de cuidar do planeta. “Na nossa cosmovisão, a natureza é sagrada. Os orixás são a personificação dos elementos naturais, e cuidar da Terra é cuidar da nossa própria fé”, afirmou ele.
Nas religiões afro-brasileiras, como Candomblé e Umbanda, a natureza é sagrada e permeia todos os aspectos da vida. Os orixás, divindades cultuadas, estão diretamente relacionados aos elementos naturais: Oxum com as águas doces, Xangô com o fogo, Iansã com os ventos e Oxumarê com o arco-íris.
Essa conexão se manifesta em diversos rituais, como oferendas de comidas e flores para as divindades em rios, matas e cachoeiras. O respeito e a preservação da natureza são princípios fundamentais para o equilíbrio espiritual e a harmonia da comunidade.
As religiões de matriz africana guardam um conhecimento ancestral sobre as propriedades curativas das plantas e ervas.
O babalorixá Ipácio Carolino ressaltou a importância do conhecimento ancestral para a proteção do meio ambiente: “As benzedeiras, por exemplo, guardam um saber milenar sobre as propriedades curativas das plantas. É fundamental valorizar e proteger esse conhecimento.”
Apesar da profunda conexão com a natureza, as religiões de matriz africana ainda enfrentam desafios como a intolerância religiosa e a descaracterização de seus princípios. “Precisamos combater a intolerância e fortalecer o respeito por todas as tradições”, defendeu Carolino.
É necessário fortalecer a valorização e o respeito por essas tradições, reconhecendo sua importância para a cultura e a preservação ambiental.
O programa Uirapuru Ecologia evidenciou a responsabilidade dos adeptos das religiões de matriz africana na luta pela preservação ambiental. Através da conexão ancestral com a natureza, do conhecimento das plantas e da luta contra a intolerância, essas comunidades também contribuem para a construção de um futuro mais sustentável e justo.