Uirapuru Ecologia: leis mais brandas para agrotóxicos contribuíram para problemas de saúde
A produção de alimentos para sustentar a demanda mundial é um dos grandes desafios da humanidade. Com áreas limitadas de terra é preciso produzir cada vez mais em menos espaços. Neste contexto, pragas, outras plantas e demais obstáculos orgânicos podem ser desastrosos quando se fala em produtividade.
Para minimizar este problema o homem criou o defensivo agrícola, ou, o agrotóxico. Formulado especialmente para atacar determinada praga, os compostos deixam resíduos que podem causar ações secundárias, especialmente na vida silvestre e humana.
O assunto é polêmico e foi abordado dentro do programa Uirapuru Ecologia, no último sábado. O programa teve a apresentação do jornalista Ivaldino Tasca e contou com a participação da convidada professora Dra. em toxicologia Mara Tagliari.
A profissional explicou que as leis, embasadas em estudos sobre os efeitos do agrotóxico, foram sendo abrandadas nos últimos anos. Produtos passaram a ser liberados, conforme a Dra. Mara, muito pela pressão de bancadas ruralistas no campo político. Para a profissional isso deveria ser bem diferente. Hoje há alertas em produtos apenas dizendo que a ingestão pode matar.
No entanto, é preciso saber que estes produtos podem causar a morte de maneira não imediata. Sobre os problemas de saúde, explicou que muitos problemas de saúde relatados são chamados de agudos, imediatos para aparecer. No entanto, há situações crônicas, como o câncer.
Citou o glifosato, usado amplamente para matar ervas daninhas, mas que de maneira lenta desencadeiam o surgimento do câncer, sendo considerado cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde. Alertou que o contato com estes produtos tóxicos pode trazer diversos outros problemas, como anomalias na formação de crianças durante sua gestação e situações que podem se desencadear muitos anos depois no corpo humano.