Uirapuru Ecologia: garimpo atrai pelo lucro, mas impacto nas águas muda e prejudica natureza
O garimpo é, de forma histórica, uma das atividades que mais atraíram pessoas ao longo dos séculos nos mais diferentes e distantes locais na procura por metais e pedras preciosas. Neste cenário destaca-se o ouro, que em tempos de crise econômica, mantém o preço estável e é usado como uma segurança de investimentos. Para encontrar o ouro garimpeiros atacam atacando a natureza e com máquinas cada vez mais modernas e de alto impacto. Na semana passada, uma operação da Polícia Federal destruiu 131 balsas usadas por garimpeiros ilegais no rio Madeira, no interior do Amazonas, e prendeu três pessoas. A exploração ilegal de ouro ficou em evidência após centenas de balsas e dragas se reunirem em um único ponto do rio. Este assunto foi abordado no programa Uirapuru Ecologia do último sábado na Uirapuru.
O programa, com apresentação do Geólogo Luiz Paulo Fragomeni, teve como convidado o também geólogo da UFRGS, Daltro Bonatto. Daltro, que já atuou no passado em extração de materiais do solo, falou com propriedade sobre o assunto. Conforme ele, a raiz do problema está na alta lucratividade do material coletado, especialmente quando se fala em ouro. Donos de balsas fazem investimentos nos equipamentos e colocam empregados que, com uma comissão, olham unicamente a extração e não o impacto.
Uma única balsa pode render R$130 mil Reais em ouro durante um mês. A balsa leva uma draga movida a Diesel que suga o solo no fundo do rio e separa o ouro do restante. Esta balsa consome 200 litros de Diesel por dia, sem qualquer controle para não poluir e com todo o rio em sua volta. Há também o mercúrio usado no processo, sendo altamente tóxico e comumente jogado nas águas. Para o geólogo a extração ilegal é um grave problema, que traz a necessidade financeira de alguns envolvidos, mas que gera uma conta paga pelo meio ambiente.