Surgimento de cobras aumenta entre fevereiro e abril devido as altas temperaturas, explica biólogo
Nos últimos dias, moradores de Passo Fundo têm relatado diversos avistamentos de serpentes no perímetro urbano da cidade. O aumento das ocorrências gerou questionamentos na população, levando a dúvidas sobre como agir diante desses animais e quais medidas preventivas podem ser adotadas.
Em entrevista na Uirapuru, o biólogo Élinton Luiz Rezende, do Museu Zoobotânico Augusto Rusch (MUZAR) da Universidade de Passo Fundo (UPF), esclareceu que o período atual é propício para o aumento da atividade das serpentes. De fevereiro a abril, há um pico de avistamentos e surgimento desses animais, relacionado ao aumento do fotoperíodo e da temperatura, fatores essenciais para ativar o metabolismo desses répteis.
Já de maio a agosto, ocorre uma redução nessa movimentação. Segundo o biólogo, as serpentes peçonhentas mais comuns na região são as cruzeiras e jararacas, representando cerca de 98% dos casos de acidentes. Ele enfatizou que essas serpentes possuem características distintivas, como corpo afunilado, cauda curta e cabeça triangular.
Rezende alertou para um fator limitante desses animais: a disponibilidade de abrigo e alimentos. O hábito de descartar sofás, entulhos e objetos em locais inadequados nas cidades propicia a formação de criadouros para as presas das serpentes, atraindo-as para áreas urbanas em busca de alimento. Esse comportamento humano, o qual o biólogo relata ser comum não apenas em Passo Fundo, mas em toda a região, aumenta o risco de encontros indesejados entre serpentes.
No Parque da Efrica, por exemplo, ele afirma ser uma área conhecida pelos avistamentos frequentes de serpentes. Rezende explicou que o ambiente natural, composto por campos, florestas e banhados, oferece condições ideais para abrigo, reprodução e alimentação desses animais. Ele ressaltou a importância de acionar as autoridades competentes ao avistar uma serpente, recomendando o contato com o Corpo de Bombeiros ou o Batalhão Ambiental, que possuem equipes treinadas para capturar e relocar esses animais, garantindo a segurança da população.