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Meio Ambiente

Solo privilegiado de Passo Fundo reduz riscos de inundações e deslizamentos, explica geólogo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Até as 13h de ontem (12), a cidade já tinha registrado 180 milímetros de chuva neste mês, superando a média de 163 milímetros. Essa quantidade significativa de água pode afetar o solo.

Falando sobre o assunto na Uirapuru, o geólogo Luiz Paulo Fragomeni, explicou que a região de Passo Fundo possui uma situação privilegiada em termos de solo. No município, o solo é espesso, permeável e tem grande capacidade de absorção de água. Além disso, a região não possui grandes declividades ou acidentes geomorfológicos, o que torna a situação confortável em relação a riscos geotécnicos ou geológicos, como alagamentos, deslizamentos e inundações.

Fragomeni explica que a localização geográfica também desempenha um papel importante na prevenção desses eventos.

No entanto, nos arredores, há muitos lugares onde isso não ocorre. Em regiões como Marau, Casca e áreas montanhosas, a geomorfologia muda consideravelmente. De acordo com o geólogo, nessas regiões o solo é menos espesso e possui maiores declividades, o que aumenta os riscos de deslizamentos e inundações em declives mais acentuados, que recebem uma maior quantidade de água com maior rapidez. Ao falar sobre riscos relacionados a chuvas, ele declara que é necessário considerar a situação particular do local em questão. Neste sentido, Passo Fundo difere muito de Porto Alegre, por exemplo. Em relação aos ciclones que atingem o Estado neste ano, Fragomeni revela que os meteorologistas têm alertado que extremos climáticos serão mais intensos e frequentes ao longo dos anos.

O ciclone que estamos enfrentando atualmente, por exemplo, ainda não possui uma relação direta com o El Niño. No entanto, o geólogo afirma que o clima tem apresentado extremos climáticos em todo o mundo, com recordes sendo quebrados. Junho foi recentemente registrado como o mês mais quente da história desde que as medições globais começaram a ser registradas. Além disso, são vários indícios de que as mudanças climáticas estão ocorrendo de forma mais rápida e intensa do que as previsões indicavam.

Segundo Fragomeni, as previsões alertavam que esses tipos de problemas seriam enfrentados em 2050, mas, na verdade, estão ocorrendo antes de 2030, com um cenário que se esperava para o futuro. Agora, ele afirma que os problemas serão mais intensos e frequentes do que eram, diferente de outras épocas onde chuvas intensas, ondas de calor e secas também ocorriam, mas não tantas vezes em tão pouco tempo.