Revoada de Papagaios Charão encanta e espécie está aos poucos repovoando o Estado
Ouvintes da Uirapuru relataram que estão avistando há alguns dias a revoada de papagaios Charão em Passo Fundo.
Em entrevista na Uirapuru, o coordenador do Projeto Charão da UPF, Jaime Martínez, contou que a movimentação está acontecendo em razão da temporada do pinhão. Ele explicou que o papagaio Charão é uma espécie bastante relacionada com as florestas de Araucárias e o pinhão é um dos principais alimentos nessa época do ano.
De acordo com Martínez, é muito comum que bandos comecem nessa época uma migração para Santa Catarina, onde existe um maior número de florestas de araucárias, porém, 2020 foi atípico, pois a produção de pinhão foi muito baixa naquele Estado.
Segundo o coordenador, o papagaio Charão é encontrado apenas no Brasil, nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O território ocupado pela ave é pequeno, pois consiste apenas na região nordeste do Rio Grande do Sul e sudeste de Santa Catarina.
Sobre a presença do papagaio em Passo Fundo, o coordenador declarou que a região tem alguns locais que, por hábito e costume, as aves elegem como dormitório coletivo. Todo final de tarde os papagaios acabam se reunindo em um único local e pernoitam. Martínez também contou que a espécia prefere dormir em áreas que são de reflorestamento e durante o dia eles procuram por áreas nativas.
Falando da alimentação das aves, o coordenador explicou que, antigamente, achavam que o pinhão era o alimento principal da espécie, mas foram identificados com estudos mais de 70 tipos de plantas e frutas que os papagaios se alimentam.
O coordenador também contou que, em 1991, o Projeto Charão foi criado pela UPF motivado pela redução da população de papagaios Charão no Estado. Segundo Martínez, na primeira contagem realizada pelo projeto, foi constatado que existia pouco mais de oito mil papagaios. Porém, após diversas atividades realizadas com o objetivo de garantir a conservação da espécie, atualmente o número de papagaios ultrapassa 19 mil e a espécie corre muito menos risco de extinção que corria antigamente.
Ouça a entrevista com o coordenador do Projeto Charão da UPF, Jaime Martínez: