Punição para descarte irregular de lixo ainda é desafio devido a dificuldade de identificar responsáveis
Há alguns anos, Passo Fundo enfrentou um sério problema ambiental quando o Rio Passo Fundo ficou obstruído por milhões de garrafas e outros resíduos, causando alagamentos e chamando a atenção de todo o país para a questão do descarte irresponsável de lixo.
Em entrevista na Uirapuru, o promotor do Ministério Público de Passo Fundo, Paulo Cirne, falou sobre a evolução do problema e o desafio contínuo de lidar com resíduos inadequadamente descartados. Cirne afirmou que a forma como a sociedade lida com seus resíduos ainda precisa evoluir consideravelmente. De acordo com ele, o episódio lamentável que ocorreu anos atrás, quando o Rio Passo Fundo literalmente parou devido ao lixo acumulado, permanece vívido na memória de todos e serve como um lembrete constante da necessidade de progresso.
Desde então, o promotor acredita que houve melhorias na fiscalização e na limpeza do rio, incluindo a implementação de sistemas de barreiras de contenção pioneiros no Estado, que têm mostrado resultados positivos. No entanto, o desejo de todos, de que os resíduos não cheguem ao rio ou entupam bueiros, ainda não aconteceu.
Cirne declarou que o entupimento de bocas de lobo e boeiros é um claro sinal de descaso por parte de algumas pessoas da sociedade que ainda precisam ser conscientizadas sobre a importância do descarte adequado. Ainda de acordo com ele, a punição para o descarte irregular é um desafio, pois muitas vezes é difícil identificar os responsáveis. O promotor enfatizou que, embora existam casos em que as pessoas foram processadas e obrigadas a remover os resíduos após serem flagradas em fotos ou vídeos, isso é exceção, e a impunidade ainda é a regra.
Para resolver esse problema, Cirne destaca que é essencial que haja um maior controle sobre o destino dos resíduos e uma conscientização mais eficaz da sociedade. Ele afirma que Passo Fundo tem evoluído em várias áreas, incluindo a conscientização ambiental, com a realização de reuniões e o trabalho de programas como o próprio Uirapuru Ecologia, que aborda regularmente o tema. No entanto, há espaço para melhorias adicionais no campo ambiental.
Cirne recomenda que, quando irregularidades são identificadas, fotografias ou vídeos, anotações de placas de veículos e endereços podem ser utilizados para abrir procedimentos na promotoria e punir adequadamente aqueles que cometem crimes ambientais. Dessa forma, toda a comunidade pode auxiliar as autoridades.