Proclamação da República: população de Passo Fundo recebeu a notícia somente um dia depois, com mensagem vindo a cavalo
Há 135 anos, o Brasil passava por uma verdadeira revolução em seu regime político. Até 15 de novembro de 1889, o país vivia sob o regime monárquico, com a família imperial brasileira no comando. A partir dessa data, instaurou-se um novo regime político: a república.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o historiador e presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo, Djiovan Carvalho, destacou que a Proclamação da República ocorreu no dia 15, mas as motivações e articulações aconteceram ao longo de todo o século XIX. Segundo ele, havia grande descontentamento entre as elites com a possibilidade de um reinado da Princesa Isabel, além de insatisfação entre setores militares, intelectuais e políticos.
Embora o Brasil tenha se tornado uma república nesse dia, a realidade da população pouco mudou nos primeiros momentos. De acordo com o historiador, a notícia da Proclamação da República chegou a Passo Fundo somente em 16 de novembro. Um mensageiro veio a cavalo da cidade de Carazinho, pois Passo Fundo ainda não possuía telégrafo nem estradas de ferro.
O historiador ressaltou ainda que esse processo de transição de regime não foi pacífico, uma vez que muitos grupos divergiam sobre como essa República deveria ser instaurada e consolidada. Nesse primeiro período republicano, ocorreram inclusive diversas revoltas, como a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul.
Djiovan afirmou que essas revoltas estão vinculadas ao descontentamento de alguns grupos com as decisões e a forma como o novo governo se posicionava. O historiador finalizou destacando que a comemoração da Proclamação da República é importante para que a população reflita sobre o regime vigente e o processo democrático atual.
Letra do Hino da Proclamação da República
Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!
Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País…
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!
Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!
Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!