Presença de pumas em áreas rurais exige cuidado e conhecimento, alerta biólogo da UPF
Foto: Reprodução internet
Presença de pumas em áreas rurais exige cuidado e conhecimento, alerta biólogo da UPF
Um ataque de puma (também conhecido como leão-baio ou onça-parda) deixou um morador ferido no último domingo (4), na localidade de Pedra do Amolar, zona rural de Maquiné, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A vítima foi encaminhada a uma unidade de saúde e, apesar do susto, está em estado estável. O episódio chamou atenção para a presença desses felinos em áreas próximas a zonas urbanas e propriedades rurais.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o professor Jaime Martinez, biólogo e docente do curso de Ciências Biológicas da Universidade de Passo Fundo (UPF), explicou que o avanço humano sobre os ambientes naturais tem pressionado a fauna silvestre, forçando animais como o puma a se aproximarem de áreas habitadas. “O homem avançou sobre os territórios desses animais. O desmatamento e a ocupação agrícola reduzem as áreas onde vivem as presas naturais dos felinos”, afirmou.
Alimentação e habitat
Segundo Martinez, o puma se alimenta, principalmente, de lebres, roedores, tatus, veados e capivaras, desempenhando um papel fundamental no equilíbrio ecológico ao controlar populações de animais que, sem predadores, poderiam causar prejuízos às lavouras.
Na região do Planalto Médio, o leão-baio é o maior felino silvestre ainda presente, já que espécies como a onça-pintada e o gato-do-mato-grande não são mais encontradas por aqui. O puma é um animal de hábitos solitários, que percorre grandes áreas e pode se abrigar tanto em árvores quanto em tocas. Apesar de ser tradicionalmente considerado noturno, pode ser visto em qualquer horário do dia.
“Ele tem uma grande plasticidade ecológica, ou seja, uma enorme capacidade de adaptação. Por isso, tem a maior distribuição geográfica entre os felinos das Américas, desde a Patagônia até o Canadá”, destacou.
Acidente, não ataque
Sobre o caso de Maquiné, Martinez fez questão de destacar que o mais correto seria classificar a ocorrência como “acidente” e não “ataque”. “O puma não tem comportamento de atacar humanos. Provavelmente, se sentiu ameaçado ou tentou proteger um filhote. Nesses casos, a reação é de defesa”, explicou o professor, que há oito anos participa de pesquisas sobre felinos silvestres no Sul do Brasil.
Ele recomenda que, ao avistar um animal como o leão-baio, a pessoa mantenha a calma, não se aproxime e se afaste lentamente, de forma a não parecer uma ameaça. “Não se deve correr, isso pode acionar o instinto de perseguição. O ideal é erguer os braços, para parecer maior, e recuar devagar”, orientou.
Conflitos com criações
Além de animais silvestres, eventualmente o puma pode atacar criações como ovelhas ou bezerros. Nesses casos, Martinez explica que a preservação de áreas naturais ajuda a manter a oferta de presas silvestres e a reduzir os conflitos. “Onde há alimento natural, o puma tende a permanecer distante das criações”, comentou.
Outra medida que tem dado resultado, segundo ele, é o uso de cães de guarda como o pastor-maremano, que convive com o rebanho e afasta a presença de predadores.
Convivência possível
Por fim, o professor reforça que o convívio pacífico com a fauna silvestre é possível, desde que sejam respeitados os limites e os hábitos naturais dos animais. “É fundamental que as propriedades mantenham áreas de vegetação nativa, como as reservas legais e as APPs. Elas não são só importantes para conservar a água, mas também para manter o equilíbrio ecológico”, pontuou.
A Secretaria Estadual do Meio Ambiente deve emitir nota oficial sobre o caso de Maquiné, reforçando orientações de prevenção e segurança.