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Meio Ambiente

Pernilongos tomam conta da cidade de forma nunca antes vista

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto
Pernilongos tomam conta da cidade de forma nunca antes vista
Pernilongos tomam conta da cidade de forma nunca antes vista

Nos últimos 20 dias a proliferação de pernilongos está surpreendendo e incomodando os moradores de Passo Fundo.  Locais como o centro da cidade, longe de rios e áreas de mato, onde nunca antes se viu o inseto, estão agora tomados pelos pernilongos.  A Uirapuru recebe diariamente relatos sobre a presença dos pernilongos até mesmo em altos prédios, onde moradores nunca tiveram este tipo de problema. 

A situação é tão complicada que diversas autoridades no assunto já foram contatadas pela Uirapuru. O engenheiro agrônomo da Aracne Expurgo, Antônio Carlos Homrich, uma referência no combate á pragas, explicou que a variação do clima foi a grande causa do alto número destes insetos. Com manhãs mais frias que o normal para a época, intercaladas com chuvas esparsas, os mosquitos se proliferam rápido.  Não só os pernilongos, mas insetos em geral estão tendo o mesmo comportamento.  A dica de Homrich é evitar terrenos sujos ou com gramado alto, pois são locais de reprodução típicos.

Pouco frio contribuiu para os insetos

A Uirapuru conversou sobre este assunto nesta semana com a bióloga Thiandra Cristina Sangaletti.  Ela reforçou a informação de que é o clima diferente do típico para o mês que está aumentando a população não só dos pernilongos, mas também de vários insetos. A bióloga explicou que no verão a proliferação desses isentos é natural, porém quando o inverno é fraco, como aconteceu neste ano em Passo Fundo, o clima interfere na proliferação do pernilongo. Thiandra disse que as geadas ajudam a matar algumas larvas e ovos resistentes.  Como não tivemos geada forte ou frio por longos dias, não aconteceu o corte natural no desenvolvimento dos pernilongos.

Uso de produto veterinário indevido

O descontrole chegou a ser apontado por alguns ouvintes com desconfiança de que por trás pudesse haver a ação humana.  Agricultores denunciaram que, alguns produtores, poderiam estar usando na lavoura um produto usado para banhar o gado e repelir insetos.  O uso do produto chamado Cipermetrina na vegetação seria então a causa do descontrole.

A Uirapuru conversou também com o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Ricardo Felicetti, sobre este assunto. De acordo com Felicetti, toda aplicação de agrotóxicos ou produtos veterinários devem ter acompanhamento e prescrição de um responsável técnico. O uso do produto para matar insetos, portanto, é uma irregularidade devido aos riscos submetidos. A Cipermetrina para uso veterinário é utilizada para ter seu ciclo de ação exclusivamente no animal, evitando a presença de insetos no lombo do gado.

No momento em que o produto é utilizado no campo, não se sabe quais os impactos que ele pode causar, pois não foi testado para essa finalidade.

 

Ovos aguardaram a chuva e se favoreceram da ausência do freio para proliferação

O problema já é de conhecimento da Prefeitura de Passo Fundo, que possui um programa de combate a mosquitos em geral e em especial o borrachudo. Em entrevista na Uirapuru a chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental em Saúde do município, Ivânia Silvestrin, explicou que o programa de controle está vinculado à FEPAM. Ivânia explicou que a vigilância faz um mapeamento das zonas rurais e dos locais na região urbana para fazer a aplicação de um produto bioherbicida.

Este produto tem alto custo e é aplicado em água corrente, onde os insetos se proliferam.  Porém, este produto não pode ser aplicado simplesmente no gramado. Ivania também falou da preocupação com o mosquito da dengue, o Aedes. Disse que a prefeitura está notando um aumento ainda mais intenso dos mosquitos em geral.

O pernilongo normal, o maior, que aparece de dia e noite, frequenta a água limpa, água servida de lavanderia empossada, bueiros e águas paradas não tão limpas. Diferente do Aedes, que prefere água limpa.  Para Ivânia o fluxo de chuvas mais intenso das últimas semanas trouxe acúmulo de água em recipientes que tinham ovos de pernilongos.  Estes ovos, que ficam ativos por diversos dias esperando água, eclodiram e geraram os mosquitos.  Ivânia alertou que os ovos podem ficar em um recipiente de um verão para o outro e até por 450 dias, sendo um tempo superior a um ano. Desta forma a recomendação é diminuir ao máximo os ambientes onde a água possa se acumular.