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História

Passo-fundenses tiveram papel de destaque no combate ao Fascismo e Nazismo na Segunda Guerra

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

No último dia 2 de novembro o Presidente Jair Bolsonaro esteve na Itália e participou de uma cerimônia em memória a pracinhas brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial.  O evento ocorreu na cidade italiana de Pistoia, onde existe um cemitério para os militares brasileiros que tombaram .  Dos 20 mil 573 soldados brasileiros enviados à Itália na luta contra o fascismo e o nazismo, 467 pracinhas morreram em combate . No local o presidente depositou uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido, único corpo de um pracinha brasileiro não identificado.  A presença do presidente no local gerou uma manifestação negativa de Mário Pereira, guardião do cemitério dos pracinhas e filho do passo-fundense Miguel Pereira, que foi um soldado sobrevivente da grande batalha de Monte Castelo, na Itália.

Mário, em sua visão, declarou que seu pai não aprovaria um gesto de homenagem de alguém que tem ideologia completamente diferente a dele e a qual os praças morreram combatendo . No cemitério local foi criado o Monumento Votivo, homenagem aos solados brasileiros que tombaram, onde Miguel ficou como responsável de 1966 a 2003. O filho de Miguel, Mario, assumiu a função, inclusive custeando a manutenção do espaço depois da morte do pai. Deixando essa questão de lado, a notícia trouxe à tona a figura de Miguel Pereira, que foi o único praça brasileiro a não voltar pro Brasil.

Miguel teve um motivo: conheceu uma italiana, casou com com Giuliana Menichini, constituiu família e criou raízes na Itália quando a guerra acabou e o exército não precisou mais dos seus serviços. Contam os historiadores que, os pracinhas brasileiros tinham um comportamento mais amigável que os outros soldados.  Eles dividiam tudo com o povo flagelado italiano. Por serem absorvidos pelo exército americano, os soldados jovens brasileiros tinham fartas provisões.  Dividiam alimentos, café, chocolate e pães com os italianos, não pedindo nada em troca.  Este comportamento teria ajudado a criar raízes e laços, favorecendo a permanência de Miguel.

 

A Uirapuru conversou com o historiador, doutorando em história da UPF e membro do Instituto Histórico de Passo Fundo, Alex Vanin. Conforme ele, há poucos registros históricos em Passo Fundo sobre Miguel Pereira, antes dele ir para a Itália.  O que se sabe é que ele era morador do Pulador, nascido em 1918.  Ele pertenceu a classe dos jovens que foram recrutados ou voluntariamente foram combater na Itália. Há uma pesquisa em curso sendo feita em Passo Fundo, abrangendo mais sobre os pracinhas da cidade. O historiador Alex citou o destaque de Passo Fundo na luta contra a tirania da Segunda Guerra, destacando, além de Miguel Pereira, o pracinha Fredolino Chimango.

O nome dele foi dado a escola, uma rua e ao campo em frente ao antigo Quartel do Exército.  Conta a história que Fredolino tombou em combate após exterminar, com sua metralhadora, uma casamata alemã que dizimava seu pelotão.  O jovem somente teria parado de atirar nos inimigos porque sua metralhadora foi atingida por um bombardeio, matando-o na hora.  Seus restos mortais repousam em Pistoia, guarnecidos pelo Filho de Miguel.

O historiador Alex também destacou que alguns restos mortais de pracinhas da cidade retornaram e estão dispostos no Cemitério da Vera Cruz, todos juntos, em um jazigo diferenciado e histórico.  Para o Miguel Pereira foi erguido um monumento na Avenida Sete de Setembro, dentro da Praça Itália, em frente ao posto de combustível, quase esquina com a Teixeira Soares.  Lá há uma réplica de capacete, de fuzil, uma imagem e informações sobre Miguel Pereira, evidenciando a ligação histórica de Passo Fundo contra o fascismo e nazismo.