Novo imperador do Japão não tem poderes políticos e país é comandado por primeiro-ministro, explica historiador
Depois de mais de 30 anos, o reinado do imperador japonês, Akihito, chegou ao fim ontem (30), quando ele abdicou do trono a favor de seu filho mais velho, o príncipe herdeiro Naruhito. Assim, a partir de 1º de maio, o Japão entra numa nova era imperial. É a primeira vez em dois séculos que um imperador japonês deixa sua função ainda vivo. Ele manifestou seu desejo de deixar o cargo, pois sentia que não conseguia mais “exercê-lo de corpo e alma”, devido à sua idade avançada, 85 anos, e saúde em declínio.
Em entrevista na Uirapuru, o historiador Maurício Paim destacou que muitos não sabiam e tomaram conhecimento só agora que o Japão é uma monarquia imperial. Paim explicou que desde o século V se tem registros de o país asiático ser imperial. De lá pra cá o país teve imperadores com um poder maior e outros que eram subjugados, eram marionetes dos chamados Xogums, que foram chefes militares de famílias muito poderosas e determinavam o que o imperador fazia. Por 200 anos, o imperador passou a governar o Japão com maior autoridade.
Maurício Paim explicou que em 1947 o Japão elaborou uma nova constituição e, a partir daí, o imperador passou a ser um símbolo do povo japonês, muito parecido com o que é a Rainha Elizabeth II para a Inglaterra, com uma função de status.
Paim contou que o imperador é também o líder religioso do xintoísmo, a principal religião do país. Porém, de acordo com o historiador, politicamente quem administra e manda é o primeiro-ministro. Ele destacou ainda que o Japão é um país muito machista e que as mulheres são consideradas inferiores aos homens, por isso é sempre um imperador e jamais uma imperatriz.