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Internacional

Especialista ouvida pela Uirapuru avalia que impasse entre EUA e Venezuela pode impactar Brasil e toda a América do Sul

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Foto Reprodução X

Em meio a crescentes tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, a comunidade internacional observa com atenção os movimentos militares e as disputas políticas na região. A presença de navios de guerra norte-americanos na costa venezuelana reacendeu o debate sobre a possibilidade de uma intervenção, levantando preocupações sobre as implicações para o Brasil e outros países sul-americanos.

A advogada e professora  da UPF, especialista em Direito Internacional Carla Della Bona, especialista na área, analisou a situação em entrevista à Rádio Uirapuru. Segundo ela, a tensão atual entre os Estados Unidos e a Venezuela não é um fato isolado, mas sim a culminação de uma política que vem desde o primeiro mandato do presidente Donald Trump. Della Bona explicou que a questão, centrada no combate ao narcotráfico, é um dos motes de campanha de Trump. Ela citou que a decisão de enviar navios de guerra para a costa venezuelana estaria ligada à acusação de que o Cartel de los Soles, que seria chefiado pelo presidente Nicolás Maduro, é o principal responsável por enviar drogas para os Estados Unidos.

Della Bona discutiu a base legal para uma possível intervenção, destacando que o direito internacional, desde sua fundação em 1648, tem como princípio fundamental a não intervenção. Para ela, os Estados são considerados iguais, e, por isso, não podem invadir as fronteiras de outros países. A professora afirmou que não acredita que ocorrerá uma invasão americana com o objetivo de depor o presidente Maduro. Ela considerou mais provável que a disputa se restrinja à caça de grupos narcotraficantes. No entanto, alertou que o presidente Maduro também tem um grupo de 4,5 milhões de milicianos para proteger seu regime.

Ao abordar a situação interna da Venezuela, a especialista mencionou que há uma desconfiança sobre a legitimidade do governo atual, pois analistas internacionais teriam apontado problemas na contagem de votos nas últimas eleições. A professora disse que a população venezuelana pode desejar uma ação dos Estados Unidos para que seu voto seja levado em consideração, mas ressaltou que isso seria o sinal de uma comoção interna ou guerra civil, algo que não se observa no momento.

A professora expressou preocupação com a situação, classificando-a como algo que coloca em alerta toda a América do Sul, não apenas o Brasil e a Venezuela. Ela defendeu que se ocorresse uma invasão, o Brasil não ficaria em silêncio, pois a posição brasileira, mesmo que nem todos concordem com ela, defende a preservação da soberania.

Ao analisar o papel de organismos internacionais, De la Bona disse que a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras instituições devem intervir para “acalmar os ânimos”. Ela citou conflitos pontuais em várias partes do mundo, como Ucrânia e Rússia, e a Faixa de Gaza, Palestina e Israel, para enfatizar a importância de resolver as questões por meio da diplomacia. De acordo com a professora, o objetivo atual dos organismos internacionais deve ser fazer com que o mundo volte a um período de paz, assim como ocorreu nos últimos 15 anos.