Na Uirapuru, especialista afirma que fumaça das queimadas na Amazônia pode chegar a Passo Fundo
No último sábado (24), o Governo Federal confirmou que os estados de Roraima, Rondônia, Tocantins e Pará pediram ajuda do para combater incêndios florestais. Segundo o Ministério da Defesa, cerca 44 mil militares das Forças Armadas estão na região Amazônica. A Força Aérea Brasileira (FAB) também disponibilizou duas aeronaves Hércules para apoio aos trabalhos de combate aos incêndios. O assunto que repercute na comunidade internacional também foi pauta do programa Uirapuru Ecologia do último sábado (24).
O especialista em geoprocessamento de dados e imagens de satélite, Alcindo Neckel, disse na Uirapuru que analisou os dados apurados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pela Agência Espacial Americana (NASA). A conclusão da análise converge para o aumento das regiões de desmatamento da Floresta Amazônica brasileira, que cresceu paralelamente ao número de focos de queimadas.
Em 2019, a Nasa sinaliza um aumento de 84% nos focos de incêndio na área, enquanto o INPE indica crescimento de 82%, dados que praticamente coincidem.
Neckel afirmou que os piores picos de desmatamento ocorreram nas décadas de 1970 e 1980, mas que agora, os dados voltaram a preocupar o setor ambiental. O especialista ressaltou que entre 1º de janeiro e 18 de agosto de 2019 foram registrados 71.497 focos de incêndio na Amazônia, um dos maiores índices da série histórica. Além da destruição da fauna e da flora da região, a fumaça se desloca pelo país e pode chegar, inclusive, à região de Passo Fundo.
Neckel frisou que uma corrente de ar que corta o estado do Paraná atua como uma barreira que impede a fumaça de chegar ao sul do país. No entanto, no momento em que essa corrente se desestabilizar, a fumaça pode transpor a corrente e incidir sobre outras regiões brasileiras, como o Norte do Rio Grande do Sul.