Liga Selvagem fortalece atuação em Passo Fundo e amplia ações de proteção à fauna silvestre em 2026
A proteção dos animais silvestres e a educação ambiental têm ganhado cada vez mais espaço em Passo Fundo e região Norte do Rio Grande do Sul. À frente desse trabalho está a Liga Selvagem, organização sem fins lucrativos que atua no atendimento, orientação e encaminhamento de animais da fauna nativa. A ONG foi o tema do Uirapuru Ecologia do último sábado, apresentado por Gabriel Nunes.
Recentemente, a entidade conquistou um importante avanço institucional: tornou-se oficialmente uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). A mudança amplia a credibilidade do grupo, facilita a captação de recursos e permite a participação em editais públicos, além de possibilitar que doações sejam deduzidas do Imposto de Renda.
Segundo a presidente e médica veterinária Michele de Ataíde, a Liga nasceu da necessidade de fortalecer ações conjuntas com órgãos ambientais e de segurança. “Nosso foco não é apenas o animal silvestre, mas também a relação dele com o meio ambiente e com as pessoas. Trabalhamos muito com orientação técnica e educação ambiental”, destaca.
Os casos mais frequentes atendidos pela Liga envolvem animais que se adaptaram ao meio urbano, como aves, gambás, ouriços e répteis. Muitos acabam aparecendo em residências ou vias públicas devido à perda de habitat, falta de arborização e busca por alimento. A entidade ressalta que nem todo animal precisa ser resgatado. Em muitos casos, o correto é apenas manter distância e buscar orientação.
A Liga atua em parceria com o Batalhão Ambiental, Corpo de Bombeiros, Ministério Público e clínicas veterinárias, além de instituições de triagem de animais silvestres. Cada ocorrência exige abordagem específica. O resgate de uma serpente, por exemplo, é completamente diferente do de uma ave ferida em local alto. Nesses casos, a logística pode envolver os Bombeiros, enquanto a Liga oferece suporte técnico especializado.
Quando necessário, os animais são encaminhados para reabilitação. Se estiverem aptos, retornam à natureza, preferencialmente próximo ao local de origem. Nos casos que demandam internação prolongada, podem ser levados para centros de triagem em outras cidades do Estado.
Entre as ações previstas para 2026 está o fortalecimento de uma campanha voltada à redução de atropelamentos de animais silvestres nas rodovias da região. A proposta inclui articulação com forças de segurança e a defesa da implantação de corredores ecológicos — passagens aéreas ou subterrâneas que permitem a travessia segura da fauna.
Por ser uma entidade sem fins lucrativos, a Liga Selvagem depende de doações, parcerias e eventos para manter as atividades. Com a formalização como OSCIP, a organização passa a ter ainda mais respaldo jurídico e transparência na prestação de contas.
A comunidade pode colaborar por meio de apoio financeiro, patrocínios ou parcerias institucionais. A entidade também orienta que, ao encontrar um animal silvestre, a população busque informações antes de qualquer intervenção.