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Caso Boate Kiss

“Justiça” é a principal palavra citada por familiares e sobreviventes no primeiro dia de Júri da Boate Kiss

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

Começou nesta quarta-feira (1º), no Fórum Central de Porto Alegre, o Júri da Boate Kiss. Dois sócios da boate, um músico e um produtor musical, são os acusados pelo incêndio ocorrido no dia 27 de janeiro de 2013 na cidade de Santa Maria. Elissandro Callegaro Spohr, Mauro Londero Hoffmann Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão respondem por 242 homicídios consumados e 636 tentativas de homicídio.

A Rádio Uirapuru está na capital e acompanha o julgamento que promete ser o mais longo da história do Poder Judiciário gaúcho. No primeiro dia de Júri, o repórter Leandro Vesoloski conversou com pessoas que participarão do julgamento.

O advogado de defesa do réu Luciano Bonilha, detalhou o perfil dos jurados que formaram o conselho de sentença que vão definir o futuro dos quatro acusados. Segundo Gustavo da Costa Nagelstein que junto com Jean de Menezes Severo, Tomás Antônio Gonzaga, Filipe Decio Trelles e Martin Mustschall Gross defendem o produtor musical, afirmou que a estratégia da defesa passa pela formação de um conselho formado por jovens. A defesa chegou a recusar, pelo menos, três nomes sorteados por não estar dentro do perfil desejado.

Nagelstein afirmou que os artefatos pirotécnicos comprados por Luciano e usados na noite do incêndio na Boate Kiss são comumente encontrados nas festas até os dias atuais como enfeites nos baldes de bebida servidos aos frequentadores.

O repórter Leandro Vesoloski conversou também com o sobrevivente da tragédia, Maike Adriel dos Santos. De acordo com ele, carregar o rótulo de sobrevivente da Boate Kiss é muito difícil. O jovem destaca que o sentimento é uma mistura de ansiedade e de confiança de que a justiça será feita. Na opinião de Maike, a tragédia foi provocada por uma sucessão de erros e cada responsável deve responder pelos seus atos, na medida em que merecem.

Conforme Ligiane da Silva, mãe da vítima Andrieli, em entrevista na Uirapuru, chegou a hora da justiça e de responsabilizar cada um dos culpados. A mãe desabafa e pede que as autoridades garantam segurança para os jovens sair de casa, que cobrem as regras para funcionamento de casas noturnas, evitando que outra tragédia aconteça. Para Ligiane, outras pessoas também deveriam estar sentadas no banco dos réus.

Para Rosmeri Garcia Biscaíno, mãe de Cássio Biscaíno, de 20 anos, vítima da Boate Kiss, esse período de nove anos de espera foi de muita dor, tristeza e saudade. Na opinião da mãe, demorou muito para que o julgamento acontecesse e agora ela pede que justiça seja feita. No entanto, ela acredita que a justiça buscada não vai aliviar o sofrimento. Rosmeri disse que pensa no filho todos os dias e que está presa naquela noite da tragédia ainda, sem ver o tempo passar.

De acordo com Rosmeri, a vida mudou completamente após a tragédia e perdeu o sentido, pois ela não entende como uma mãe supera o trauma de enterrar o filho. Rosmeri acredita que outras pessoas também deveriam estar sentadas no bando dos réus como o prefeito de Santa Maria na época do ocorrido, Cezar Schirmer, que autorizou a boate a funcionar sem o alvará, os bombeiros que liberaram o funcionamento sem a segurança necessária, entre outras autoridades responsáveis por fiscalizar o local.