Instituto é contra a demarcação da Floresta Nacional de Passo Fundo como terra indígena
A maior remanescente florestal do Planalto Médio, a Floresta Nacional de Passo Fundo, hoje pertencente a Mato Castelhano, foi tema do programa Uirapuru Ecologia de sábado (2). Em 2018 a flona completa 50 anos, com cerca de 1.300 hectares de área.
São ao todo 400 hectares de araucária plantadas, em fase de manejo, e mais 300 hectares de pinos, que antes eram banhados e capoeirões e hoje estão voltando a ser floresta.
O chefe da Unidade Avançada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e analista ambiental da Floresta Nacional de Passo Fundo, Adão Luiz da Costa Gullich, contou que a área mais preservada possui 142 hectares, de onde saem muitas pesquisas. Devido à sua importância, o Instituto é contrário a inclusão da Floresta Nacional na demarcação de terras indígenas. O processo que trata do tema está sob análise do Ministério da Justiça, que aguarda os rumos do marco temporal.
O marco restringe o direito constitucional de demarcação de terras indígenas caso não seja comprovada a ocupação das áreas reivindicadas na data da promulgação da Constituição de 1988. Segundo Adão, os relatos são que os indígenas acamparam nas proximidades da floresta somente em outubro de 2005. Desta forma, administrativamente eles teriam direito de ocupar a flona.
O analista ambiental explicou que a entrada dessa população poderia fazer com que a sustentabilidade e, principalmente, a biodiversidade não fossem mais preservadas. Enfatizou que é uma área que não é simplesmente de uma etnia, é de uso público, para o serviço ambiental de toda a sociedade.
O analista ambiental, Reni Osvino Weirich, destacou que um dos objetivos com a Floresta Nacional de Passo Fundo é fazer com que a sociedade tenha uma nova percepção sobre as remanescentes florestais, inclusive sobre a importâncias delas nas propriedades particulares. Hoje ainda é comum o desmatamento em benefício do plantio de soja, por exemplo.
Para Reni, o desafio enquanto sociedade é buscar maneiras de valorizar as remanescentes florestais e de criar políticas que consigam manter essas áreas preservadas.