Skip to content

Geral

Passo Fundo registra média de um incêndio a cada dois dias

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A região de Passo Fundo registra uma média de mais de um incêndio por dia. Somente em Passo Fundo, é um incêndio a cada dois dias. O dado foi divulgado pelo 1º Tenente Éderson de Bairros, Comandante do 1º Pelotão de Bombeiros de Passo Fundo, durante o programa Sem Segredo. Somente no ano passado, foram 385 ocorrências de incêndio na região, sendo a maioria em residências. Neste ano, já são 179 registros, 85 deles em casas. Para o Tenente, é um número muito preocupante para um município com mais de 200 mil habitantes. Segundo ele, a principal causa dos incêndios residenciais é a sobrecarga ou problemas na rede elétrica, acidentes considerados evitáveis. “Grande maioria são descuidos”, afirmou.

O Corpo de Bombeiros atendeu mais de 2.700 ocorrências no último ano, incluindo incêndios, acidentes de trânsito e resgates. Apenas a equipe do Samu realizou mais de 1.500 atendimentos. Em 2023, já são 680. O tenente destacou que, em média, de 5% a 10% dos incêndios residenciais resultam em ferimentos aos moradores. Casos mais graves, como a explosão causada por vazamento de gás que vitimou um casal em Passo Fundo, são atípicos, mas servem de alerta.

 Queimaduras: o que fazer (e o que não fazer)

O médico cirurgião plástico Daniel Ribeiro Lopes, que atuou por três anos no Centro de Queimados do Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, reforçou a importância dos primeiros atendimentos. “A medida mais simples e eficaz para queimaduras por escaldadura (líquidos quentes) é água corrente em temperatura ambiente. Isso diminui a temperatura da área e alivia a dor”, orientou. O médico foi categórico ao desaconselhar práticas populares. “Nada de pasta de dente, borra de café, clara de ovo ou vinagre. Essas substâncias atrapalham a avaliação médica e aumentam o risco de infecção.”

Grupos de risco e locais de maior perigo

Crianças e idosos são os mais vulneráveis a queimaduras. “A pele da criança é mais fina e sensível. Um acidente que seria leve em um adulto pode ser grave em um bebê”, explicou Dr. Daniel. Ele recomendou nunca carregar líquidos quentes, como chimarrão ou café, com crianças no colo. A cozinha é o cômodo onde mais ocorrem acidentes. “Cabos de panelas sempre virados para dentro e, se possível, cozinhar nas bocas de trás do fogão”, orientou.

Cuidados com gás, lareiras e aquecedores

O tenente Éderson alertou sobre os riscos de vazamento de gás. “Ao sentir cheiro de gás, não ligue nada elétrico. Ventile o ambiente abrindo portas e janelas. Jamais use fogo para testar vazamentos – use água com sabão para verificar bolhas.” Sobre as lareiras ecológicas, o bombeiro fez um alerta: “Muitas pessoas usam álcool comum ou combustível para abastecer, o que já causou acidentes graves em Passo Fundo. O correto é usar o biofluído ou, melhor ainda, usar apenas papel para acender o fogo.” Lençóis térmicos também exigem atenção. “Aqueça a cama antes de dormir e desligue. Nunca durma com o lençol ligado. Além disso, verifique a validade e as instruções do fabricante”, orientou o comandante.

Choque elétrico e queimaduras químicas

Em caso de choque elétrico, a orientação é desligar o disjuntor antes de socorrer a vítima. “Nunca toque na pessoa enquanto ela estiver em contato com a corrente”, alertou o tenente. Para queimaduras químicas (cimento, cal, soda cáustica), Dr. Daniel explicou: “Primeiro, remova o excesso do produto com um pano seco. Depois, lave com água corrente. Nunca jogue água diretamente sobre o produto em pó, pois pode causar reação que agrava a lesão.”

Fumaça e incêndios em vegetação

A fumaça, lembrou o médico, pode matar por intoxicação ou por queimadura das vias aéreas. “Em um incêndio, saia imediatamente do ambiente fechado”, recomendou. O tenente complementou: “Nunca coloque fogo em lixo ou vegetação para ‘limpar’ o terreno. Grandes incêndios florestais começam pequenos, geralmente por bitucas de cigarro ou queimadas irresponsáveis.”

Tratamento e referência em queimados

Dr. Daniel explicou que queimaduras de primeiro grau (como solar) são superficiais; as de segundo grau formam bolhas (não devem ser furadas); e as de terceiro grau, mais profundas, exigem tratamento cirúrgico, muitas vezes com enxertos de pele. “O segredo para um bom desfecho é o atendimento precoce e adequado. Procure um serviço médico mesmo em caso de dúvida”, enfatizou. Embora Passo Fundo não tenha um centro especializado em grandes queimados – as referências no Estado são o Hospital Cristo Redentor e o Pronto Socorro de Porto Alegre –, o médico elogiou a capacidade local: “As emergências do Hospital São Vicente e do Hospital de Clínicas têm equipes altamente preparadas. Atendi esta semana uma paciente com queimadura de via aérea que foi salva pelo pronto atendimento do São Vicente.”

Estrutura dos bombeiros

O 1º Pelotão de Bombeiros de Passo Fundo atende 11 municípios da região, com uma equipe de 46 militares, atuando em escalas diárias de seis a nove profissionais. “Estamos em constante treinamento e com estrutura robusta, embora precisemos de mais efetivo. Mas seguimos prontos para atender a comunidade”, finalizou o tenente Éderson.

Dicas finais dos especialistas:

  • Em queimaduras: água corrente em temperatura ambiente e procure atendimento médico.
  • Não use líquidos inflamáveis (álcool, gasolina) para acender churrasqueiras ou lareiras.
  • Nunca durma com aquecedores ou lençóis térmicos ligados.
  • Teste vazamentos de gás com água e sabão, nunca com fogo.
  • Com crianças no colo: nada de líquidos quentes.