Dia de Tiradentes: professor cita semelhanças entre movimento histórico e temas políticos atuais
Neste 21 de abril, feriado nacional, o Brasil homenageia Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Mártir da Inconfidência Mineira, ele foi um dos principais nomes do movimento que, no século XVIII, lutava pela independência do Brasil em relação à Coroa Portuguesa. Preso e executado em 1792, Tiradentes se tornou símbolo da luta por liberdade e justiça no país.
Para entender um pouco mais sobre sua importância na história nacional, a Uirapuru conversou com o professor de História Maurício Paim. Ele explicou que a Inconfidência Mineira envolveu 35 pessoas, a maioria da elite econômica de Minas Gerais — com exceção de Tiradentes, que não era rico.
Na época, todos os tributos arrecadados — considerados altos — eram enviados à Coroa Portuguesa. A economia brasileira era baseada na extração de ouro, mas, com o tempo, tornou-se cada vez mais difícil encontrar o metal e arcar com a pesada carga tributária, o que gerou grande insatisfação.
Segundo Paim, esse episódio histórico pode ser relacionado a questões atuais. “O empresário brasileiro paga altos tributos e está cada vez mais difícil conseguir dinheiro”, afirmou. Para ele, mais de 200 anos após Tiradentes, a insatisfação e a luta que motivaram a Inconfidência ainda persistem na sociedade.
Tiradentes foi condenado e executado pelo crime de “lesa-pátria” — um atentado ou traição contra o país. Trazendo para a atualidade, o professor lembrou que esse mesmo termo foi usado nas condenações de alguns réus envolvidos na invasão da Praça dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.
Paim ressaltou que depredações, vandalismo e violência, como os registrados no ato em Brasília, não devem jamais ser apoiados. No entanto, destaca que, mesmo com mais de dois séculos de distância, esses momentos históricos compartilham um elemento central: o descontentamento de uma parte da população com seus governantes.