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Planeta

Detritos espaciais vistos no céu de Passo Fundo se desintegraram ou caíram no mar, explica professor

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Na noite de quinta-feira (24), moradores do Rio Grande do Sul foram agraciados com um raro espetáculo celestial quando detritos espaciais provenientes de um foguete russo cruzaram os céus em baixa velocidade, gerando um efeito luminoso espetacular. Os avistamentos foram relatados por ouvintes da Rádio Uirapuru, que observaram o fenômeno em Passo Fundo, marcando uma ocorrência singular na cidade.

Falando sobre o assunto na Uirapuru, o professor Alisson Giacomelli, do curso de Física da Universidade de Passo Fundo (UPF), explicou que a Terra está atualmente cercada por uma quantidade significativa de lixo espacial que tem se acumulado desde o início da corrida espacial, na década de 60. Milhares de objetos foram enviados ao espaço desde então, e, como resultado, é comum a reentrada desses objetos na atmosfera terrestre.

No caso específico do evento observado nesta semana, o professor explicou que os detritos correspondem a partes de um foguete lançado em 22 de agosto, que reentrou na atmosfera terrestre. O efeito luminoso intenso que chamou a atenção ocorre quando esses detritos queimam devido ao atrito com o ar atmosférico durante a reentrada. Giacomelli destacou que, embora a entrada de detritos seja uma ocorrência diária no planeta, raramente eles geram um efeito luminoso tão marcante como o observado recentemente.

Sobre os riscos de detritos espaciais colidirem com a Terra, o professor tranquilizou a população, afirmando que o risco é relativamente baixo. A maioria desses detritos acaba se desintegrando durante a reentrada devido ao calor gerado pelo atrito, e os fragmentos que eventualmente chegam ao solo têm uma maior probabilidade de cair nos oceanos, uma vez que mais de 70% da superfície do planeta é coberta por água.

Entretanto, Giacomelli alertou para um problema maior relacionado ao lixo espacial: a crescente quantidade de objetos em órbita que já não possuem utilidade. Com milhões de peças classificadas como lixo espacial orbitando a Terra, especialistas expressam preocupação com a limitação de ambiente no espaço sideral para novas explorações e lançamentos de satélites. Colisões entre detritos espaciais e estações espaciais ou satélites ativos podem causar danos significativos, criando desafios para a contínua exploração e uso do espaço.

O professor destaca que, na UPF, a educação em astronomia desempenha um papel importante. A instituição possui uma área de forte atuação nesse campo, com um trabalho focado no ensino e pesquisa relacionados à astronomia. Além disso, o curso de Física da UPF mantém três telescópios e um planetário móvel, oferecendo sessões educativas para escolas e a comunidade, a fim de promover o interesse e compreensão da astronomia e temas correlatos.