Skip to content

Internacional

Decisão de comprar mais diesel da Rússia não baixará preços e pode prejudicar relações com EUA

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

O presidente Jair Bolsonaro disse que vai garantir maior compra de petróleo vindo da Rússia para barrar o preço no Brasil e garantir a oferta. No entanto, o anúncio ocorre no momento em que o resto do mundo vem cortando relações com o país russo.

Falando sobre o assunto na Uirapuru, o coordenador do curso de Comércio Exterior da Universidade de Passo Fundo (UPF), professor Fábio Barão, lembrou que a Rússia vem passando por sanções de diversos países. Isso ocorre quando um país está fazendo algo errado. Como as outras nações não querem entrar em guerras, elas impões sanções econômicas com o objetivo de desestimular um país a realizar uma ação. Neste caso recente, fazer com que a Rússia pare de invadir a Ucrânia.

Segundo Barão, impor sanções contra um país tão poderoso no mercado mundial como a Rússia traz desequilíbrios em preços, principalmente no diesel, já que o país é hoje o segundo maior produtor de petróleo do mundo.

Sobre a relação da Rússia com o Brasil, o professor contou que, em 2021, apenas 0,2% do óleo diesel importado foi fornecido pelos russos. Para se ter uma ideia, apenas em 2022 o Brasil já importou mais de 4 bilhões em óleo diesel do exterior, vindos de 18 países. O principal exportador é os Estados Unidos, representando 57% de tudo que foi importado, e a Rússia é apenas a 12° colocada.

Com essa proposta recente do presidente Jair Bolsonaro, Barão explica que a participação da Rússia, que era pequena, passará a aumentar. No entanto, o óleo diesel, assim como petróleo e seus derivados, é commoditie, ou seja, o preço é estabelecido pelo mercado mundial. Por isso, negociar um maior número de diesel vindo da Rússia não vai mudar o preço do combustível, apenas aumentará a quantidade do que é comprado no mercado russo.

Segundo o professor, essa decisão pode estremecer a relação do Brasil com seu principal parceiro comercial, que é os Estados Unidos.

Conforme ele, para aumentar a participação da Rússia no país, primeiro o presidente Jair Bolsonaro deve costurar politicamente uma relação com o presidente americano, Joe Biden, explicando que o Brasil precisa de diesel e que os EUA sozinho não são capazes de prover tudo. Barão afirma que essa atitude é essencial para que a relação dos países não estremeça, antes de partir para um avanço no aumento de volumes vindos da Rússia.

Além disso, o professor também declarou que, ao comprar mais produtos da Rússia, o Brasil colocará dinheiro na economia daquele país e, parte dele poderá ser direcionado para esforço de guerra. Segundo Barão, isso é exatamente o contrário que outros países querem quando aplicam sanções, que tem o objetivo de evitar enviar para a Rússia um dinheiro que possa ser usado na guerra.