Comissão debate saneamento nas ocupações e eventos climáticos extremos
Realizar um diagnóstico com dados sobre as áreas ocupadas em Passo Fundo, com estimativas de quantas famílias residem nos locais foi um dos encaminhamentos dados pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, esta semana, durante reunião para tratar dos problemas de saneamento básico e distribuição de água em áreas ocupadas. “São dados que nos faltam hoje. Isso será importante para colocarmos no estudo e encaminhar para a busca de soluções aos problemas debatidos no encontro”, segundo destacou o presidente da Comissão, Michel Oliveira (PSB).
Conforme o vereador, o problema do desabastecimento nas ocupações é uma demanda que chega com frequência aos parlamentares. No mesmo encontro a comissão debateu as atividades da Comissão das Mudanças Climáticas, recentemente criada no município. O Legislativo quer ter representação nos trabalhos do grupo.
Apelo comunitário
Problemas recorrentes de abastecimento hídrico e no sistema de coleta de resíduos estão entre as preocupações de comunidades que moram em áreas não regularizadas.
Representante da ocupação Valinhos 2, Edivânia Rodrigues da Silva, ressaltou a importância da implantação de lixeiras na localidade. Segundo a líder comunitária, a ausência de espaços adequados para o descarte de resíduos dificulta o trabalho de educação ambiental, especialmente em um local situado junto à área de preservação, para avançar na perspectiva de cuidado com o meio ambiente.
Outro aspecto considerado urgente por ela se refere às constantes faltas de água. Conforme Edivânia, as comunidades sofrem tanto com a água em excesso, nos períodos de cheia, como nos momentos de desabastecimento. “Falar de água é falar de vida. É uma necessidade. Quem está nas ocupações não quer de graça. Se tiverem que pagar, dentro da situação social de cada pessoa, os moradores estão dispostos a contribuir”, afirmou.
Ações habitacionais
Titular da Habitação, Paulo César Caletti afirmou que o Executivo trabalha em conjunto com a Corsan e o Ministério Público, envolvendo também os membros das ocupações, na perspectiva de solucionar as demandas de abastecimento de água.
Lembrou que, durante a pandemia, o Executivo autorizou a instalação de bicas públicas, em diversas ocupações de Passo Fundo. De acordo com o secretário, há um esforço conjunto para a autorização de construção de redes hidráulicas nessas ocupações, assim como em outras já consolidadas.
Disse que, na última quinta-feira, a administração municipal deu aval à Corsan para instalação de rede de água em pontos individuais na Ocupação 4 do Bairro Zachia. Recordou ainda que, há cerca de seis anos, a regularização dessa área por parte do Executivo evitou o despejo de cerca de 350 famílias, bem como investimentos feitos na infraestrutura da localidade. Segundo ele, a pasta trabalha para fazer avançar a regularização de diversas áreas de Passo Fundo.
O secretário também mencionou a realização de audiência pública com o MP sobre o tema em 5 de setembro e falou que o poder público está comprometido em atender as reinvindicações das comunidades dentro dos limites da legalidade. Nesse sentido, ressaltou a importância do papel do MP, nas orientações e respaldo jurídico para as intervenções do governo.
Outro destaque foi o andamento do programa da Aegea/Corsan “Água, Vida e Cidadania”, mantido mesmo em meio ao processo de privatização da companhia, cujo enfoque é justamente levar água potável às áreas de ocupação consolidada. O programa foi abordado pelo representante da instituição, Luiz Cristóvão Brabo.
ProClima
O trabalho da Comissão sobre Mudanças Climáticas foi detalhado no início do encontro pelo presidente, Rafael Fernando Giaretta. Vinculado ao programa ProClima 2050, do governo do estado, o grupo é dedicado a analisar ações para mitigar os efeitos do aquecimento global em nível local.
Composto por representantes do Poder Público, entidades empresariais e organizações da sociedade civil, o colegiado monitora ações e convênios em conformidade com os compromissos globalmente assumidos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Rafael Colussi, a interação entre os diferentes segmentos possibilita uma visão plural para a busca de contribuições efetivas à questão climática. Ele frisou a relevância do grupo incluir uma representação da Câmara Municipal. “Somando nossos esforços, podemos alcançar nossos objetivos a curto, médio e longo prazo”, disse.
A atividade foi realizada no âmbito da Comissão de Cultura, Cidadania e Direitos Humanos (CCCDH). Participaram os vereadores Michel Oliveira (PSB), Professora Regina (PDT), Professor Gringo (Cidadania), Edson Nascimento (União Brasil), Luizinho Valendorf (PSDB), Leandro Rosso (Republicanos) e Saul Spinelli (PSB). O encontro contou com a presença dos secretários municipais de Meio Ambiente, Rafael Colussi, de Habitação, Paulo César Caletti, e de Inovação, Bárbara Fritzen, representantes de ocupações, Aegea/Corsan, Comissão sobre Mudanças Climáticas, Agenda 21 e outras organizações.