Ministério Público determina recolhimento de marca de leite e queijo
O Ministério Público (MP) deflagrou nesta quarta-feira (21) a operação Leite Compensado 10 e a Queijo Compensado 2, determinando o recolhimento da marca Lactibom de depósitos e de supermercados em todo o Rio Grande do Sul.
O leite vencido era industrializado após adição de água – inclusive de poços artesianos – no laticínio de Venâncio Aires, já interditado três vezes desde 2008, e depois revendido. O produto que não conseguiam fraudar por estar muito estragado, era repassado para fabricação de queijos, alguns apresentando até coliformes fecais.
Foram cumpridos nove mandados judiciais de busca e apreensão em Venâncio Aires, Lajeado, Montenegro, Carlos Barbosa e Mato Leitão. São 80 agentes envolvidos, três promotores, além de integrantes das Secretarias Estaduais da Agricultura e Saúde, Ministério da Agricultura, Receita Estadual, Fepam, Polícia Civil e Brigada Militar. A investigação começou há um ano.
O promotor Mauro Rochemback diz que leite estragado era levado para a Lactibom, em Venâncio Aires, e depois era adulterado. “Eu digo para a equipe que estamos desencadeando a primeira operação água compensada e por isso dizemos para não consumir produtos Lactibom”, ressalta o promotor.
Isso se deve à adição de água para ajustar o leite, o que foi comprovado em 15 laudos. Em um deles, havia 32% a mais de água. Depois, a empresa DRW distribuía o produto e por isso os envolvidos serão responsabilizados: Luciano André Petry (Lactibom) e Debora Reckziegel Weschenfelder (DRW).
O promotor Alcindo Bastos determinou, através de ordem judicial, a retirada do leite das prateleiras. O laticínio é apontado por não colocar lotes e data de validade nas unidades, apenas nas caixas com o total de 12 embalagens.Uma empresa de produtos de limpeza também será responsabilizada por fornecer materiais – supostamento utilizados para adulteração – para as empresas de laticínios.
Rochemback e Alcindo descobriram que, o leite sem possibilidade de ser ajustado com água para não ser detectado em testes, era encaminhado pela DRW à queijaria Latte Bios, em Lajeado. A empresa é investigada por produzir queijo fora dos padrões, de adulterar datas de fabricação, além de não usar rótulos ou embalagens. O promotor Alcindo Bastos diz que o produto era transportado por Carlos Roberto Kieling, de Montenegro, para um depósito em Carlos Barbosa, de Alexandre Pontin. Cerca de 700 quilos de queijo foram apreendidos este ano em uma ação na Rota do Sol. Estavam sem rótulos, mal acondicionados e laudos confirmaram a presença de coliformes fecais.
Presídios
A Lactibom participou de duas licitações estaduais para fornecer leite para seis presídios: Santa Cruz, Venâncio Aires, Rio Pardo, Lajeado, Cachoeira do Sul e Encantado. Em 2014 forneceu 6,3 mil litros diários tipo C para presos e 600 litros de longa vida para a direção. Na verdade, tudo adulterado com água.
Em 2015, forneceu 23,9 mil litros diários e 1,4 litros de longa vida. O MP vai informar a Susepe sobre a fraude e evitar o desabastecimento. A Lactibom e a DRW participaram de nova licitação para fornecer leite para presídios da Capital, Charqueadas e o novo de Canoas. A Promotoria está alertando as autoridades.
Reincidência
A Lactibom já havia sido alvo de investigação em 2008. Na ocasião, foi interditada, o que voltou a ocorrer em 2014 e no início deste ano. Além disso, cinco envolvidos na operação Leite Compensado 5, no Vale do Taquari, no primeiro semestre de 2014. A investigação continua para saber se há produtos nocivos à saúde humana no leite industrializado pela Lactibom, que tem agora a razão social H2B.
*Rádio Gaúcha