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Justiça

Corrupção: A vergonha reside na tolerância, não na correção

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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O juiz federal Sérgio Moro condenou ontem (13) o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) a 19 anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e por obstrução das investigações da Operação Lava Jato.

 

Em seu despacho, Moro citou um discurso de 1903 do ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, onde ele afirma:  “A exposição e a punição da corrupção pública são uma honra para a uma nação, não uma desgraça. A vergonha reside na tolerância, não na correção”.

Prova disso é que houve comemoração ontem entre os servidores do Tribunal de Contas da União (TCU), pois o governo Dilma, em abril de 2014, havia tentado nomear o então senador Gim Argello para uma vaga no Tribunal, o que só não aconteceu pela reação que a indicação gerou.

 

De acordo com a acusação do Ministério Público Federal (MPF), Argello recebeu propina para deixar de convocar empreiteiros para depor na antiga Comissão Parlamentar Mista  de Inquérito (CPI) da Petrobras, em 2014. Na época, ele era o vice-presidente da comissão.

 

Na sentença, Moro afirmou que Gim Argello pediu cerca de R$ 30 milhões e recebeu pelo menos R$ 7,3 milhões das empreiteiras, valores que foram utilizados na campanha eleitoral de 2014.

 

“Durante o ano de 2014, crescia a preocupação da sociedade com as revelações do esquema criminoso da Petrobras, o que levou à constituição da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobras. O condenado, ao invés de cumprir com seu dever, aproveitou o poder e a oportunidade para enriquecer ilicitamente, dando continuidade a um ciclo criminoso”, disse o juiz.

 

Na sentença, também foram condenados o ex-presidente da UTC Engenharia Ricardo Pessoa, a 10 anos e seis meses de prisão, Walmir Pinheiro, também da UTC, a nove anos e oito meses, e Léo Pinheiro, da OAS, a oito anos e dois meses.

 

Argello foi preso no dia 12 de abril deste ano, em Brasília, na 28ª fase da Operação Lava Jato, e continua custodiado em um presídio na região metropolitana de Curitiba.