Chacina da Cohab: policial civil relata que Fernanda Rizotto demonstrou arrependimento apenas por uma das mortes e planejava fugir por 20 anos
O segundo depoimento ouvido no julgamento dos irmãos Fernanda e Claudiomir Rizotto, nesta quinta-feira (13), foi de um policial civil que participou das investigações e da prisão dos acusados pelo crime que ficou conhecido como Chacina da Cohab, ocorrido em maio de 2020, em Passo Fundo.
O agente relatou que durante a prisão de Fernanda foi apreendido um celular, e que, mesmo quando os suspeitos estavam isolados, mantinham comunicação com Eleandro Roso, condenado no caso e que estava preso. Segundo o policial, Fernanda manifestou arrependimento apenas pela morte de Alessandro dos Santos, uma das vítimas, mas afirmou que o que aconteceu com as demais foi pouco.
O depoente contou ainda que Fernanda e os demais envolvidos alinhavam versões para um documentário de televisão sobre o caso, e que ela dava a entender saber quem eram os executores, embora fosse orientada a não citar nomes.
Outro ponto destacado foi a intenção de Fernanda de absolver o irmão Claudiomir de qualquer participação no crime. Em conversas interceptadas, ela teria dito a uma amiga que, em 20 anos, o crime prescreveria e que ainda poderia “dançar bailinhos”, demonstrando a intenção de ficar foragida e não se entregar à polícia.
O policial também relatou que Fernanda manteve contato com Leandro Roso até o dia de sua captura, e que ele possuía um celular dentro da cela, o qual nunca foi apreendido.
Segundo o testemunho, Fernanda Rizotto assumia a autoria em diversos momentos e chegou a planejar jogar uma bomba na casa da família de Diênifer Pádia, uma das vítimas. O agente lembrou que, na prisão de outro envolvido, conhecido como Costinha, foram apreendidos artefatos explosivos.
Em diversos trechos de suas declarações, conforme o policial, Fernanda lamentou o fato de outras pessoas não terem morrido, chegando a mencionar Catarina, mãe de Diênifer, que faleceu recentemente.
O julgamento segue no Fórum de Passo Fundo, com o depoimento do policial civil que já ultrapassa duas horas.