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Justiça

Espaço Bem-Me-Quer assina termo de cooperação com a página Meninas Protegidas para ampliar atendimento à vitimas de violência sexual

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

Na tarde desta sexta-feira (17) aconteceu na sede do Ministério Público de Passo Fundo a assinatura de mais um termo de cooperação. O termo foi celebrado para para cooperação entre a página Meninas Protegidas e a Central Regional de Acolhimento às Vítimas – Espaço Bem-Me-Quer, com objetivo de assegurar estratégias de atendimento humanizado às vítimas diretas e indiretas de infrações penais e atos infracionais praticados com violência sexual contra crianças e adolescentes.

Conforme a promotora de Justiça, Dra. Clarissa Ammélia Simões Machado, o Espaço Bem-Me-Quer é um local de acolhimento a vítimas de crimes e atos infracionais de qualquer natureza. O objetivo é manter a vítima informada sobre seus direitos, sobre o funcionamento da investigação policial e do processo penal.

Historicamente, o sistema jurídico sempre se preocupou em garantir os direitos dos investigados e réus, mas deixou em segundo plano a proteção às vítimas. Agora, buscamos corrigir isso, reconhecendo-as como sujeitos de direito. Assim, qualquer vítima — direta ou indireta — pode procurar o Ministério Público para receber acolhimento e informações.

De acordo com a promotora, entre essas vítimas, as de crimes sexuais, especialmente menores de idade, exigem atenção especial. São delitos que ocorrem na clandestinidade, atingem meninos e meninas extremamente vulneráveis e causam traumas profundos. Muitas vezes, essas vítimas carregam sentimentos de culpa e vergonha, demorando anos para pedir ajuda — e, em alguns casos, se calam para sempre.

O Ministério Público tomou conhecimento da página Meninas Protegidas, que atua justamente nesse campo. A parceria vai permitir que vítimas que procurem a página sejam acolhidas também pelo Ministério Público, inclusive virtualmente, caso estejam em outras cidades ou estados. Assim, poderemos fazer um primeiro atendimento e, depois, encaminhar aos Ministérios Públicos competentes, explica Clarissa.

Conforme a fundadora da página Meninas Protegidas, Cristiane Aparecida de Oliveira, Meninas Protegidas é uma página no Instagram criada com o objetivo principal de conscientizar e prevenir a violência sexual infantil e na adolescência. Infelizmente, Passo Fundo ocupa posição de destaque nas estatísticas de denúncias, mas, no Brasil todo, há uma grande subnotificação.

Cristiane reforça que muitas vítimas sentem vergonha, culpa ou são desacreditadas — às vezes até pela própria família. Muitas mulheres e adolescentes começaram a procurar a página pelo Instagram, relatando pela primeira vez situações de abuso e pedindo orientação sobre o que fazer.

Agora, com a parceria com o Ministério Público, será possível ajudar vítimas e famílias de várias partes do Brasil, inclusive de estados distantes. Além de prevenir, a página também atua no acolhimento dessas vítimas, que precisam se reconstruir emocionalmente após a violência — um processo que pode levar tempo, mas que é essencial.

De acordo com Cristiane, a página foi criada em Passo Fundo, no final de janeiro deste ano, e hoje já conta com cerca de 39,6 mil seguidores. A ideia surgiu da própria experiência de Cristiane, que foi vítima de violência sexual infantil e, como mãe de uma menina de oito anos, sentiu a necessidade de estudar o tema e se curar dessas marcas, para poder proteger a filha sem limitar sua liberdade.