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Justiça

Instauração do caos era etapa “necessária” para o golpe, diz Gonet

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou, nesta terça-feira (2), durante sustentação da parte acusatória no julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão, que a instauração do caos era uma etapa necessária para um golpe de Estado.

Gonet realizou a afirmação ao se referir aos atos antidemocráticos contra os Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. “A instauração do caos era explicitamente considerada a etapa necessária do desenrolar do golpe, para que se atraísse a adesão dos comandantes do exército e da aeronáutica”.

O procurador-geral também disse que, em paralelo, a “organização criminosa atuava em setores de inteligência para monitorar populações”.

Ele ainda afirmou que o plano do golpe teve coordenação, inspiração e determinação derradeira de Bolsonaro.

Durante a sustentação da parte acusatória no julgamento, Gonet também disse que os atos da suposta organização criminosa para uma tentativa de golpe de Estado são “espantosos” e “tenebrosos”.

“Os fatos de que a denúncia trata nem sempre tiveram os mesmos atores. Muitos outros, mas todos convidam dentro do seu espaço de atuação para o objetivo comum de assegurar a permanência do presidente da República da época na condição do Estado, pelo que não vencesse as eleições e mesmo depois de haver efetivamente perdido a preferência dos eleitores em 2022”, completou.

As declarações de Gonet ocorreram na manhã desta terça-feira (2) durante a fase de sustentação oral da PGR no primeiro dia de julgamento do núcleo 1 no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A argumentação da acusação começou após o término da leitura do relatório do processo, realizado em cerca de 1h40 pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Gonet teve até duas horas para realizar a sustentação e defender a condenação dos réus. Iniciam-se, por volta das 14h a argumentação das defesas dos oito acusados.

G1 // CNN