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Justiça

Advogada das vítimas de Maurício Dal Agnol vai solicitar que dinheiro apreendido na operação desta semana seja repassado aos credores

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Ao longo desta semana, um nome bem conhecido da comunidade passo-fundense voltou aos holofotes: o advogado Maurício Dal Agnol foi alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do RS (GAECO/MPRS), que teve como objetivo apurar a prática de lavagem de dinheiro. Os valores envolvidos ultrapassam R$ 40 milhões, provenientes de apropriações indevidas de créditos relacionados a ações judiciais.

Na manhã da última quinta-feira (22), a advogada da Associação das Vítimas de Maurício Dal Agnol, Ana Carolina Reschke, concedeu entrevista à Rádio Uirapuru e comentou sobre como as pessoas lesadas receberam a informação da nova operação. Ela destacou que já tinha conhecimento dos valores que Dal Agnol vinha recebendo, muitos deles provenientes de processos que ele moveu contra pessoas que não pagaram seus honorários, o que considera um absurdo.

A advogada explicou que essa prática ocorre desde 2016. No âmbito da Operação Carmelina, na esfera cível, o juiz responsável à época chegou a liberar R$ 3 milhões, por entender que se tratava de honorários advocatícios. Ana Carolina afirmou que, ao longo dos anos, tentaram convencer o Judiciário e o Ministério Público da necessidade de uma atuação mais firme contra Dal Agnol, a fim de evitar o desvio desses valores. Algumas ações foram tomadas, mas, segundo ela, não foram suficientemente eficazes.

Ainda segundo a advogada, a Associação das Vítimas encaminhou diversas provas às autoridades competentes demonstrando que o criminoso estava transferindo dinheiro para a mãe e para outros advogados.

Avaliamos de forma positiva a operação realizada nesta semana, pois conseguiu conter os atos ilícitos praticados por Dal Agnol. E esperamos que novos desdobramentos ocorram, com objetivo de auxiliar as vítimas que foram lesadas, destacou Dra. Ana Caroline.

Pagamento das vítimas:

Em relação ao ressarcimento das vítimas, a advogada comentou que alguns casos já prescreveram. Em 2022, foi entregue um relatório com a identificação de todas as vítimas que deveriam ser indenizadas. Como há muitos credores, foi estabelecida uma lista com critérios de antiguidade para a realização dos pagamentos.

Ana Carolina ressaltou que, após a apreensão de bens realizada nesta semana, existe a expectativa de que uma nova remessa de pagamentos seja encaminhada às vítimas de Dal Agnol. Por isso, ela pretende entrar em contato com o GAECO para solicitar uma reunião com o promotor responsável, ressaltando a importância de que esse dinheiro seja, de fato, destinado às pessoas prejudicadas.