Chacina da Cohab: Julgamento de casal acusado de participação no crime já tem data definida
Um dos crimes mais bárbaros e de maior repercussão na comunidade Passo-fundense deverá ter mais um capítulo no mês de agosto de 2024, o caso que ficou conhecido como Chacina da Cohab entrou na pauta das sessões de julgamento do Fórum de Passo Fundo.
Nesta terça-feira, 11, o repórter do Tribunal, jornalista Leandro Vesoloski apurou que no dia 13 de agosto, a partir das 09h deverão estar sentados no banco dos réus Luciano Costa dos Santos (Costinha) e sua companheira, Monalisa Kich Anunciação.
O julgamento que estava marcado para ocorrer em março foi cancelado a pedido da defesa. O advogado dos réus solicitou o desaforamento, quando o caso é transferido para ser julgado em outra comarca, porém o júri foi mantido para ocorrer em Passo Fundo.
O crime
A fria noite de maio de 2020 ficou marcada por um triplo assassinato: Dienefer Padia, 26 anos, seu cunhado, Alessandro dos Santos, 34, e a filha dele Ketlin Padia dos Santos de 15 anos de idade foram executados asfixiado dentro da residência. O fato aconteceu na rua Ernesto Ferron.
No momento do crime haviam seis pessoas na casa. As três que foram mortas e mais três crianças, filhas de Diênifer. Na residência dos fundos, estava a esposa de Alessandro. Segundo relatos, uma das crianças, de 6 anos, foi quem saiu da casa, avisou os vizinhos e pediu ajuda.

Motivação para a Chacina
Conforme a Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa de Passo Fundo (DHPP), Dienifer trabalhou em uma propriedade rural, em Casca, e teve uma relação extraconjugal com seu patrão, Eleandro Roso que é casado. Na relação, Dienifer engravidou do homem, porém escondeu que estava grávida.
No momento em que mulher de Eleandro, Fernanda Rizzotto, teve conhecimento do relacionamento, Dienifer foi expulsa do trabalho, onde ela também residia, e retornou para Passo Fundo. A esposa do patrão só teve conhecimento que o filho da empregada era de seu marido, após o nascimento da criança.
Ao retornar para Passo Fundo, primeiramente, Dienifer foi morar no Bairro Cruzeiro. Ali, ela começou a receber ameaças. No início do ano recebeu, em casa, uma caixa com uma boneca mutilada.
De acordo com a polícia, Eleandro passou a ser extorquido pela ex-funcionária. A casa no Bairro Cohab foi comprada pelo homem para usufruto da criança.
A investigação apontou que Eleandro, Fernanda e o irmão dela, Claudiomir Rizzotto resolveram tirar a vida de Dienifer por estar extorquindo seu ex-patrão.
Há alguns anos, Claudiomir trabalhou em um posto de combustíveis, onde conheceu Luciano Costa dos Santos (Costinha), que fazia a segurança do estabelecimento. Costinha, que foi expulso da Brigada Militar, recebeu a proposta para cometer o crime.
Na época do fato, o ex-pm, com passagens pela polícia, possuía uma empresa de segurança. Costinha terceirizou o trabalho, contratando dois homens para matar Dienifer.

PLANEJAMENTO DO CRIME
Monalisa Kich Anunciação, mulher de Costinha, que terceirizou o trabalho, comprou um celular de Dienefer via internet. Acompanhada de um taxista ela foi até a residência, buscou o aparelho e fez fotos da parte interna e externa da casa.
Dienifer fez um novo anúncio na internet, dessa vez, estava vendendo uma estante. A venda não foi realizada. Os supostos compradores foram até a residência na noite de 19/05/2020 e cometeram a chacina.
A polícia destacou que o alvo era apenas Dienifer, e que sua sobrinha e cunhado estavam no “lugar errado e na hora errada”. Todos foram asfixiados e mortos com lacres “engasga gato”.
Cinco pessoas foram indiciados pelas mortes. Foram eles, Eleandro, Fernanda Rizzotto e Claudiomir Rizzotto, mulher e cunhado de Roso, além do ex-policial militar Luciano Costa dos Santos e Monalisa Kich Anunciação.
Atualmente, apenas duas pessoas estão presas: Luciano Costa dos Santos e Eleandro Roso. Monalisa não teve prisão decretada e responde o processo em liberdade. Os irmãos, Fernanda e Claudiomir estão foragidos desde a elucidação do caso, quando tiveram suas prisões decretadas.

O que diz a defesa dos acusados
A defesa dos acusados é feita pelo advogado criminalista José Paulo Schneider que em contato com o repórter Leandro Vesoloski, teceu suas considerações e afirmou que “ A defesa técnica manifesta seu mais profundo e sincero respeito pela memoria das vítimas e pela dor da família enlutada, especialmente pela passagem dos quatro anos da passagem desse trágico fato.
Em relação a decisão que designou o júri para o dia 13 de agosto, Schneider disse que a defesa recebe com tranquilidade, porque embora exista pendencia de recursos a respeito do pedido de desaforamento, parece prudente e razoável a designação do júri, uma vez que o processo envolve um réu preso há muito tempo. “Neste ponto andou muito bem o judiciário ao deixar agendada a sessão plenária. Explica-se que o pedido de desaforamento, foi indeferido em um primeiro momento e está defesa opôs embargos de declaração que será julgado no dia 17 de junho e em sendo mantido o julgamento mantido para Passo Fundo esta defesa avaliará a possibilidade de remeter a causa ao STJ e STF, que toda via não impede a designação e realização do júri, haja vista que tais recursos não possuem efeito suspensivo”.
José Paulo Schneider afirma que “quanto ao júri essa defesa espera que as partes possam trabalhar com lealdade, com ética e tranquilidade a prova do processo, frente aos jurados e juradas que irão compor o conselho de sentença, para que após os debates, fique demonstrado aquilo que é convicção desta defesa, de que os acusados não possuem participação na trágica morte das vítimas.
