Edifício Gralha: justiça condena Estado a pagar moradores
Chegou ao fim nesta semana um drama que durou sete anos para diversas famílias de Passo Fundo. A justiça proferiu sua decisão envolvendo o caso do edifício Gralha, no Bairro Cohab I. O edifício foi condenado após falhas estruturais em 2016. Na ocasião, após problemas notados antes daquele ano, peritos condenaram os imóveis e as famílias precisaram se mudar, mesmo tendo financiado e assumido dívidas na época.
Por anos, as famílias ficaram sem uma indenização e o prédio fechado. O edifício teve financiamento da Caixa Econômica Federal, mas antes foi construído pelo programa estadual Cohab. O anúncio da decisão judicial foi feito aos moradores das 16 famílias envolvidas na tarde de hoje (5). O anúncio ocorreu no Escritório Mendonça, na Rua Ângelo Preto e contou com a cobertura da Uirapuru.
Falando ao vivo na emissora, o advogado Dani Mendonça explicou que a justiça condenou o Estado do Rio Grande do Sul, então sucessor legal do extinto programa Cohab, que construiu o prédio, a pagar aos moradores o valor atualizado de cada apartamento, tomando como base o mercado para um imóvel similar da mesma idade em Passo Fundo. Também serão pagos valores referentes aos aluguéis pelo tempo em que os moradores estiveram fora de suas casas. haverá ainda uma indenização a ser paga pelas perdas aos moradores, o terreno precisará ser limpo, com o prédio demolido e os restos retirados do local.
O advogado explicou ainda que a Caixa Econômica Federal não foi condenada pelo fato de ter financiado os apartamentos depois de terem já sido construídos pelo sistema Cohab, com supervisão do Estado. A Caixa não poderia, então, ter vistoriado uma obra antes de fazer parte dela.
O Secretário de Cidadania e Assistência Social Saul Spinelli, que acompanhou de perto e lutou pelos direitos das famílias desde o início da situação, revelou que alguns moradores precisaram voltar a trabalhar, mesmo aposentados, diante das despesas que chegaram pela mudança e aluguéis. Agora, após sete anos, a situação chega a um desfecho favorável.
Uma das moradoras do edifício, a senhora Rosemari Rosa, explicou que viu de perto o drama de muitas famílias, que por anos choraram diante da incerteza de não terem onde morar. São pessoas idosas, que lutaram como puderam diante dos custos, pagaram aluguel e apenas esperavam por justiça.