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Justiça

Caso Reolon: Justiça absolve acusado de ser mandante da morte de sargento aposentado em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Na noite de 18 de setembro de 2018, mais um homicídio marcava entrava para a lista de crimes na cidade de Passo Fundo. A vítima do crime foi Claudir Pedro Reolon, de 52 anos, morto a tiros no bairro Vera Cruz, no dia 18 de setembro.

O sargento da reserva da Brigada Militar chegava em casa, na rua Porto Alegre, quando sofreu uma emboscada e foi executado com diversos disparos de arma de fogo; o autor fugiu.

Claudir foi socorrido até o Hospital São Vicente de Paulo, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Envolvimento da esposa da vítima

De acordo com a Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), sob a coordenação da delegada Daniela de Oliveira Minetto e do chefe de investigações comissário Volmar Menegon, a esposa da vítima, Sirlene dos Santos Almeida Reolon, 44 anos, mantinha um relacionamento com Cassiano Ghion,. Na data em que o crime foi elucidado, a delegada Daniela disse que a vítima soube do relacionamento e chegou a se separar, mas eles retomaram a relação. Mesmo reatando, a relação extraconjugal continuou.

O relacionamento da mulher com a vítima teria continuado por motivos financeiros, já que os dois tinham uma filha ainda criança.

“O que continuava vinculando ela ao Claudir era muito mais a questão financeira do que qualquer questão afetiva”, disse Mineto.

Mãe de santo

Para terminar com o relacionamento entre vítima e a esposa, os dois amantes, teriam, então, procurado uma mãe de santo que teria feito ‘trabalhos’ para afastá-los. Pagamentos e conversas no WhatsApp comprovaram a participação dos três.

O casal, devido à demora na separação, teria reclamado da situação. “Aí vem a morte do Claudir”, resumiu Daniela Oliveira Mineto.

A polícia descobriu que o autor da morte era o indivíduo de 19 anos, que teria sido contatado para a execução. “Aqui se vê o vínculo dessa mãe de santo com o crime. É ela que tem o contato com a família do G.B. Ela que faz o vínculo entre o executor e os mandantes”, explicou a delegada.

O crime teria sido planejado pelo três. “O Claudir é efetivamente executado e o executor tem informações privilegiadas do momento em que a vítima chegava em casa. Ele [o sargento da reserva], mesmo armado, nem esboçou reação”, explicou a delegada.

As prisões

O executor do crime, Guilherme Brum, foi preso por roubo de veículo dez dias após o homicídio.

Cassiano Ghiom foi preso na manhã do dia 6 de junho, quando se dirigia ao trabalho.

Já a viúva e a mãe de santo, tiveram suas prisões preventivas solicitadas pela Polícia Civil, porém foram indeferidas. A justiça optou por impor medidas cautelares as mesmas.

Falta de provas: réu já foi posto em liberdade

Em julgamento nesta semana, Cassiano Ghiom, que estava recolhido no Presídio Regional de Passo Fundo em prisão preventiva foi liberado. A reportagem policial da Rádio Uirapuru entrou em contato com a defesa dele para saber o motivo em que ele foi solto.

Advogada Maura Leitzke
Advogada Maura Leitzke

Maura da Silva Leitzke, do Escritório Silva, Leitzke & Saugo – Advocacia e Assessoria, que defende Cassiano, disse que teve muitas contradições e falta de provas na acusação de seu cliente.

“Na época do crime foi afirmado que imagens teriam flagrado o suposto veículo do acusado transitando pela Cidade antes e depois da prática do homicídio, entre as 19h57min e as 20h09min do dia do fato.
Porém, essa conclusão é incompatível com o horário do fato narrado na própria denúncia, que aponta ter sido o homicídio praticado às 19h30min, da mesma forma testemunhas confirmaram que Cassiano chegou ao local do fato, a pé, em torno de cinco minutos após ter sido a vítima executada.”

A advogada ainda disse que não existe qualquer prova revelando que o executor dos disparos recebeu auxílio para fugir do local, de onde saiu correndo segundo testemunhas. Se afirmava que teria sido Cassiano o responsável por auxiliar nessa fuga do executor. “A afirmação de que o executor foi resgatado e auxiliado na fuga não tem qualquer comprovação ou qualquer imagem ou prova”, disse.

Questionada sobre imagens que identificaram o carro do suposto executor, Maura disse que no vídeo usado para essa identificação “tal conclusão se fundou em imagens captadas por câmeras de segurança espalhadas pela Cidade, nessas imagens não é possível identificar que veículo se trata nem mesmo marca e modelo, quanto mais detalhes em uma roda que estava em movimento.”

Maura Leitzke afirma que seu cliente é inocente. Ela destacou que o homem não se negou a prestar depoimento porque não teria envolvimento algum com o crime e saliente que ele está com medo de sofrer represália por ser tachado como “matador de polícia”.

A família de Claudir ainda espera por Justiça.