Caso Dal Agnol: dinheiro arrecadado em leilão irá para o governo e não para as vítimas do golpe
A Justiça Federal de Passo Fundo vai leiloar parte dos bens do advogado Maurício Dal Agnol em março. Os lotes com os bens incluem itens diversos como terrenos urbanos, salas comerciais, terras rurais e também o prédio da Avenida Brasil, na Petrópolis, onde estava localizado o escritório de Dal Agnol. Somente este imóvel está avaliado em R$31,4 milhões e o total dos lotes passa de R$ 64 milhões.
Os recursos arrecadados com os leilões serão destinados para a quitação de dívidas que Dal Agnol possui com a União, referente a sonegação de impostos. O valor estimado é de R$ 52,4 milhões. Se houver sobra, algum recurso pode ser utilizado para pagamento das vítimas. O leilão será dividido em duas partes que acontecerão nos dias 15 e 24 de março. Tudo será feito de forma eletrônica. O edital tem a assinatura do juiz Ricardo Soriano Fay, substituto da 1ª Vara Federal de Passo Fundo. Os bens em leilão podem ser consultados no site: www.leiloesjudiciaisrs.com.br
O Caso Dal Agnol
Em 2014 a Operação Carmelina, desencadeada pela Polícia Federal de Passo Fundo, com o apoio do Ministério Público/RS, desarticulou uma organização criminosa, comandada pelo advogado Maurício Dal Agnol que lesou mais de 30 mil pessoas em ações contra a extinta CRT. De acordo com as investigações, o grupo se apropriou de valores que superariam os R$ 100 milhões. As investigações iniciaram ainda em 2012, por representação da OAB e do Ministério Público Federal. Dal Agnol fez fortuna ao ficar com dinheiro dos clientes, possuía vasto patrimônio, centenas de imóveis, jatinho, apartamento nos Estados Unidos, automóveis de luxo e milhões de reais em contas bancárias. A Polícia Federal identificou movimentação financeira de R$ 2,4 bilhões do grupo. O advogado chegou a ser preso em 2014, mas foi solto em 2016 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e responde os processos em liberdade.
“Tem ex-clientes morrendo sem receber”, afirma Associação das Vítimas
A advogada Ana Carolina Reschke, presidente da Associação de Vitimas de Maurício Dal Agnol, concedeu entrevista a Rádio Uirapuru e demostrou indignação pelo fato do governo ter prioridade no recebimento do dinheiro em detrimento a centenas de vítimas que esperam há, pelo menos, 8 anos uma indenização. “A União lançou ordens restritivas sobre todo o patrimônio dele. E por anos e anos não conseguimos fazer nenhum leilão. Infelizmente é essa prioridade faz parte das nossas leis”. A advogada lastimou morosidade da justiça que está trazendo muita tristeza as vítimas e aos familiares. “Essa semana tive a notícia de que um cliente meu, que tinha dinheiro para receber, acabou morrendo no hospital com a família na busca de recursos para o seu tratamento”, disse.
Novos leilões
A expectativa é de que a partir da quitação da dívida com a União, novos leilões possam ser realizados a fim de liberar a indenização para centenas de lesados. “Ele tem muito patrimônio. Em Passo Fundo, Sarandi e Taquara tem muitos imóveis. Tem patrimônio nas empresas que ele criou de fachada em nome da mulher e da filha. A gente acredita que se a justiça andar de forma mais célere, mais comprometida e os leilões forem realizados em um ou dois anos, nós conseguiremos indenizar essas pessoas”, explicou a Dra Ana Rescke.
“A União lançou ordem restritiva sobre todo o patrimônio dele. E por anos e anos não conseguimos fazer nenhum leilão. Infelizmente essa prioridade faz parte das nossas leis”
Condenações ultrapassam R$ 200 milhões
Em outubro 2021 a Corregedoria Geral de Justiça/RS fez um levantamento e constatou que constam atualmente cotnra Maurício Dal Agnol, em fase de cumprimento de sentença (para cobrança e que não cabem mais recursos), 1.200 processos buscando indenizações que totalizam 200 milhões. “A gente tem que trabalhar rapidamente para que o patrimônio ainda existente seja suficiente para pagar todo mundo”, acrescentou a advogada.
O Caso Dal Agnol
Em 2014 a Operação Carmelina, desencadeada pela Polícia Federal de Passo Fundo, com o apoio do Ministério Público/RS, desarticulou uma organização criminosa, comandada pelo advogado Maurício Dal Agnol que lesou mais de 30 mil pessoas em ações contra a extinta CRT. De acordo com as investigações, o grupo se apropriou de valores que superariam os R$ 100 milhões. As investigações iniciaram ainda em 2012, por representação da OAB e do Ministério Público Federal. Dal Agnol fez fortuna ao ficar com dinheiro dos clientes, possuía vasto patrimônio, centenas de imóveis, jatinho, apartamento nos Estados Unidos, automóveis de luxo e milhões de reais em contas bancárias. A Polícia Federal identificou movimentação financeira de R$ 2,4 bilhões do grupo. O advogado chegou a ser preso em 2014, mas foi solto em 2016 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e responde os processos em liberdade.