Primeiros anos de vida impactam diretamente na formação de um adulto violento, diz psicanalista
A criminalidade é uma das situações que mais preocupam e demandam investimentos na sociedade. Há um aparato gigantesco, custoso e que precisa de grande investimento para impedir, encerrar e punir crimes. Recentemente, uma das novas versões do crime consiste em recrutar pessoas cada vez mais jovens, pois são protegidas contra uma prisão igual à dos adultos. Há também cada vez mais relatos de adolescentes cometendo crimes sem a influência de organizações criminosas, em uma idade que talvez os amigos estão apenas brincando ou estudando.
Este assunto foi abordado no último programa Emoção, Afeto e Comportamento, na Rádio Uirapuru. Apresentado pelo psiquiatra Erico Hecktheuer e por Vinícius Brammer, o programa contou com a participação do psicanalista e professor José Júlio Abuchaim.
Conforme o psicanalista, os estudos apontam que uma criança, em seus primeiros anos, é como se fosse uma esponja no que diz respeito ao comportamento. Tudo ao seu redor será inserido e depois ela vai ver o que fará com estas informações. Isso quer dizer que, se ela for criada em um ambiente violento, de crimes ou que a estimulem a sentimentos de ódio, essa informação vai se refletir na formação de um jovem adulto. Essa formação ocorre em dois momentos. O primeiro dele é do zero aos sete anos, onde quase toda a personalidade será formada. Depois há um novo momento, de menor intensidade, dentro da adolescência.
Estes dois momentos da vida definirão a forma psicológica da pessoa. Logo, um criminoso não nasce assim, ele se torna desta forma, moldado e construído com base em sua caminhada até aquele momento. Desta forma, é possível concluir que, quando se depara com um criminoso, ali está alguém que fez sim uma escolha, mas que foi direcionado para um caminho de erros em sua formação, por diversos fatores.